Os juros futuros fecharam em queda nesta sexta-feira (25), após avançarem nas duas sessões anteriores, em um dia marcado pelo recuo do petróleo e pela divulgação do IPCA-15, prévia da inflação oficial. O movimento ocorreu apesar de a inflação ter superado as projeções e de os rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos terem subido, enquanto investidores também acompanhavam a disputa eleitoral brasileira.
Taxas dos contratos futuros terminaram em baixa
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 encerrou em 13,645% ao ano, ante 13,667% no ajuste da sessão anterior, uma queda de 2 pontos-base. Cada ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual. Para janeiro de 2035, a taxa caiu 7 pontos-base, de 14,054% para 13,98% ao ano.
Os contratos de DI refletem as expectativas do mercado para os juros ao longo do tempo, e não uma mudança imediata na taxa básica. A queda indica redução das taxas exigidas pelos investidores nesses vencimentos naquele pregão. Na ponta mais longa, o recuo foi maior, embora as taxas ainda permanecessem elevadas.
Petróleo cede, mas continua perto de US$ 104
O petróleo Brent, referência internacional, recuou nesta sexta depois de acumular fortes altas nas duas sessões anteriores. No fim da tarde, era negociado na faixa de US$ 104 por barril. A expectativa de um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a queda, mas ataques houthis contra a Arábia Saudita mantinham preocupações sobre o fornecimento.
Uma commodity mais barata pode aliviar a pressão sobre os custos de combustíveis e, por consequência, sobre a inflação. Esse efeito, porém, não é automático nem elimina os riscos enquanto o petróleo segue caro e o cenário geopolítico permanece incerto. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro voltaram a subir: às 16h33, o título de dez anos avançava 1 ponto-base, a 5,171%.
Prévia da inflação supera as projeções
O IBGE informou que o IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, depois de recuar 0,40% em agosto. Em 12 meses, a alta passou de 4,24% até agosto para 4,47% até setembro. As projeções consultadas antes da divulgação apontavam aumento menor: 0,53% no mês e 4,30% em 12 meses.
A inflação de serviços acelerou de 0,07% em agosto para 0,59% em setembro, enquanto a média dos núcleos calculados pelo Banco Central passou de 0,22% para 0,34%, segundo cálculos do Bmg. Já os serviços subjacentes avançaram 0,28%, abaixo dos 0,50% registrados em agosto. Esses componentes ajudam a avaliar se a inflação está persistente, além de oscilações pontuais de preços.
Selic e eleição seguem no radar
A taxa Selic estava em 13,75%. Para Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, o IPCA-15 não alterava o cenário imediato, mas um novo corte no início de novembro dependeria da evolução dos dados e das projeções do boletim Focus. O Focus projetava mais uma redução de 0,25 ponto percentual, embora estimasse inflação de 4,92% para 2026, acima da meta de 3%.
Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, avaliou que serviços mais fortes, núcleos acima do esperado e riscos em alimentos e gasolina tornam mais difícil prever um novo corte em novembro. No campo eleitoral, pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 45% em um eventual segundo turno; a margem de erro de 2 pontos percentuais deixa o resultado em empate técnico.
O que observar nos próximos pregões
A queda dos contratos de DI não significa que a Selic já tenha sido reduzida nem garante um corte adiante. As taxas futuras influenciam a remuneração de títulos e o custo de captação usado como referência em operações de crédito, mas o efeito para consumidores e investidores depende também de prazos, riscos e condições de cada produto.
O mercado deve seguir comparando novos dados de inflação com os sinais do Banco Central e com as expectativas para a Selic. Se a inflação persistir, juros altos podem durar mais; se as pressões diminuírem, cresce o espaço para discutir cortes. Petróleo, cenário externo e incerteza eleitoral também podem alterar essa avaliação.
Impacto para a sociedade
A inflação e as expectativas para a Selic influenciam o custo de empréstimos e financiamentos, além do rendimento de aplicações de renda fixa. Como o IPCA-15 veio acima do esperado, a possibilidade de juros altos por mais tempo pode pesar no orçamento de quem precisa de crédito e no consumo.
