Os juros futuros brasileiros fecharam em leve baixa nesta quarta-feira (30), mesmo com o mercado avaliando sinais que podem sustentar juros mais altos nos Estados Unidos. A inflação americana abaixo do esperado reforçou apostas de que o Federal Reserve manterá as taxas em outubro, mas dados fortes de atividade e emprego limitaram o alívio. No Brasil, o noticiário eleitoral também esteve no radar dos investidores.
Taxas dos contratos de DI recuaram no fechamento
A taxa do DI para janeiro de 2028 terminou em 13,55% ao ano, ante 13,573% no ajuste da sessão anterior. A queda foi de 2 pontos-base, ou 0,02 ponto percentual. Já o contrato para janeiro de 2035 fechou a 13,96%, recuo de 4 pontos-base em relação aos 13,999% anteriores.
Esses contratos refletem as expectativas do mercado para os juros em diferentes prazos e ajudam a orientar o custo de empréstimos e investimentos. Não são a própria Selic: uma baixa nas taxas futuras indica uma mudança marginal nas projeções dos investidores, não uma decisão do Banco Central sobre a taxa básica.
Inflação dos EUA abaixo da previsão favoreceu o alívio
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, caíram durante a manhã após a divulgação do índice de preços de gastos com consumo, conhecido pela sigla PCE e acompanhado pelo Fed. O núcleo do indicador subiu 0,2% em agosto, abaixo da previsão de 0,3%. O índice cheio avançou 0,3%, também menos que os 0,4% esperados.
Os números reduziram a pressão por uma nova alta dos juros americanos em outubro e contribuíram para a queda dos DIs. Às 9h31, pouco depois da divulgação, a taxa do contrato para janeiro de 2035 atingiu 13,870%, baixa de 13 pontos-base em relação ao ajuste anterior. O movimento, porém, não se manteve integralmente até o fim do pregão.
PIB e emprego limitaram a queda dos rendimentos
Outros indicadores dos Estados Unidos apontaram para uma economia mais resistente. O PIB americano cresceu 2,2% no segundo trimestre, acima da previsão de 1,5% e da estimativa anterior, também de 1,5%. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, esse resultado reforça a leitura de atividade forte, enquanto a inflação mais fraca diminui a urgência de novas altas.
O relatório da ADP mostrou a abertura de 90 mil vagas no setor privado em setembro, depois de 36 mil em agosto, número revisado para baixo. A expectativa era de 70 mil postos. Com os dados, os rendimentos dos Treasuries se recuperaram durante o dia: o título de dez anos chegou a superar 5,30% e, às 16h46, estava em 5,293%, alta de 4 pontos-base. O de dois anos ficou estável em 4,889%.
Eleição e contas públicas também entraram no radar
No Brasil, os investidores acompanharam a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O Tribunal Superior Eleitoral julgou nesta quarta-feira uma questão sobre publicações em redes sociais ligadas à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, tema que vinha pressionando a campanha de Flávio.
Também foram divulgados dados domésticos: os preços ao produtor subiram 0,36% em agosto, após três meses de deflação, e a dívida bruta do país passou de 82,6% para 82,9% do PIB entre julho e agosto. Esses números compõem o cenário acompanhado pelo mercado, mas o fechamento dos juros futuros refletiu também a oscilação das expectativas sobre a economia americana.
O que observar nos próximos movimentos
Para quem investe, a sessão mostrou como dados de inflação, crescimento e emprego nos Estados Unidos podem mexer com as taxas brasileiras. Quando os rendimentos americanos sobem, investimentos globais podem se tornar mais atraentes nos EUA, pressionando ativos de outros países; quando recuam, parte dessa pressão pode diminuir. O efeito depende da combinação de fatores e não determina sozinho o rumo dos juros no Brasil.
Para consumidores e empresas, os contratos de DI ajudam a formar referências para custos de crédito, mas a queda desta quarta-feira foi limitada e não muda automaticamente as taxas de empréstimos ou a Selic. O mercado seguirá avaliando novos indicadores americanos e o noticiário econômico e eleitoral brasileiro para ajustar suas projeções.
Impacto para a sociedade
As expectativas para os juros dos Estados Unidos podem influenciar o custo de financiamento no Brasil e as condições de crédito, embora o movimento desta quarta-feira não altere diretamente as taxas pagas pelas famílias. A queda dos DIs foi pequena e não representa, por si só, uma mudança na Selic.
