O JPMorgan vê espaço para uma nova valorização das ações de Nubank e Inter, que ficaram para trás enquanto os grandes bancos avançaram no rali recente da Bolsa. O banco elevou os preços-alvo das duas instituições e aponta gatilhos diferentes para uma possível reprecificação: no Nubank, a capacidade de crescer mantendo custos menores; no Inter, a continuidade da melhora da rentabilidade.
Nubank: crescimento e custos sustentam a avaliação
Para o Nubank, o JPMorgan elevou o preço-alvo de US$ 20 para US$ 23 por ação e manteve sua avaliação favorável. O novo alvo representa potencial de alta de até 82,5% em relação ao último fechamento, conforme a estimativa do banco. A fintech negocia a cerca de 13,5 vezes o lucro projetado para 2027, ou aproximadamente dez vezes o resultado estimado para 2028.
Esses múltiplos comparam o valor de mercado da empresa com o lucro esperado. Na leitura do JPMorgan, os patamares ainda permitem exposição ao crescimento do mercado brasileiro, mesmo depois da alta recente. A tese de longo prazo também considera a estrutura de custos e capital da fintech, que pode ajudá-la a ganhar clientes sem carregar a mesma estrutura de um banco tradicional.
Base de clientes e rentabilidade são os trunfos do roxinho
O Nubank reúne cerca de 139 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia. No Brasil, seu retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE — indicador que mede quanto lucro a empresa gera em relação ao capital próprio — está próximo de 50%, segundo o banco. A participação da fintech entre clientes de menor renda, hoje em torno de 30%, também poderia crescer.
Mesmo com premissas mais conservadoras, o JPMorgan projeta expansão dos lucros próxima de 30% ao ano em dólares. A projeção não elimina riscos: uma piora adicional do crédito em 2027, medidas macroprudenciais, desaceleração do crescimento ou dificuldade para gerar receita com a base de clientes podem pressionar os resultados. O banco também cita preocupações com aquisições e com a expansão internacional, especialmente no México.
Inter depende de avanço consistente do ROE
Para o Inter, a avaliação é mais ligada à rentabilidade. O papel é negociado a menos de sete vezes o lucro projetado para 2027, segundo o JPMorgan. O banco manteve sua visão favorável e elevou o preço-alvo para R$ 55 por BDR. A ação poderia ser reavaliada se a melhora dos resultados continuar e o ROE ultrapassar 20%.
Esse avanço importa porque pode alterar o múltiplo que os investidores aceitam pagar pela empresa, além do crescimento dos lucros em si. Em outras palavras, se o Inter mostrar que consegue transformar capital em rentabilidade de forma mais consistente, o mercado pode atribuir um valor maior a cada unidade de lucro. O gatilho, porém, depende da entrega dos resultados e não é garantido pelo preço-alvo.
O que observar nos próximos resultados
O contraste entre as duas teses ajuda a entender por que o JPMorgan vê espaço para recuperação mesmo após o rali dos bancos: o Nubank combina crescimento esperado com uma operação enxuta, enquanto o Inter precisa confirmar a evolução do retorno sobre o capital. Em ambos os casos, os múltiplos considerados descontados refletem expectativas e riscos, não uma garantia de valorização.
Para quem acompanha essas ações, os próximos resultados devem mostrar se as empresas avançam nos pontos que sustentam as avaliações: crescimento e qualidade do crédito no Nubank, e melhora da rentabilidade no Inter. Preços-alvo são estimativas de analistas, não previsões certas. A decisão de investimento depende também do perfil de risco e do horizonte de cada pessoa.
