O JPMorgan rebaixou a recomendação das ações do Banco do Brasil (BBAS3) de neutro para venda, e os papéis caíam mais de 5% nesta terça-feira (6). Por volta das 13h25, a baixa era de 6,42%, com a ação cotada a R$ 24,64. A avaliação pesa sobre o banco em um dia de correção na bolsa, após a forte alta das ações financeiras no pregão anterior.

Por que o JPMorgan mudou a recomendação

O rebaixamento faz parte de uma revisão das avaliações do setor bancário brasileiro. Na mesma análise, o JPMorgan elevou a recomendação do Bradesco (BBDC4) de neutro para compra. Para o Banco do Brasil, a instituição vê um horizonte mais difícil: considera que 2027 ainda será um ano desafiador e projeta recuperação apenas em 2028.

Um dos pontos centrais é a exposição relevante do BB ao agronegócio. Na avaliação do JPMorgan, essa característica pode limitar os ganhos para o banco caso a Selic recue, em comparação com instituições privadas. Juros menores podem reduzir o custo de crédito e estimular a atividade econômica, mas o efeito sobre cada banco também depende do perfil de seus clientes e da qualidade dos empréstimos concedidos.

Queda dos juros altera as avaliações do setor

O relatório também revisou o custo de capital próprio, uma estimativa do retorno exigido pelos investidores para manter recursos em uma empresa. O JPMorgan reduziu essa premissa em cerca de 1,5 ponto percentual para a maior parte das instituições sob sua cobertura, acompanhando a queda da curva de juros brasileira de dez anos, de aproximadamente 14,4% para 13%.

Quando o retorno exigido diminui, os lucros esperados para os próximos anos tendem a valer mais nas contas usadas para estimar o preço de uma ação. O banco calcula que a mudança no custo de capital explica de 15% a 20% dos aumentos de preços-alvo divulgados no relatório. Isso ajuda a entender por que houve revisões positivas para parte do setor, mas não eliminou as preocupações específicas com o Banco do Brasil.

Crédito do agronegócio é foco de preocupação

O JPMorgan aponta a deterioração recente da carteira de crédito ligada ao agronegócio como um risco para os resultados do BB. Se clientes têm mais dificuldade para pagar empréstimos, o banco pode precisar reservar mais recursos para cobrir perdas. Isso tende a pressionar o lucro e a rentabilidade e pode reduzir o espaço para distribuir dividendos.

As projeções da instituição para o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Banco do Brasil são de 8,7% em 2026, 11,8% em 2027 e 13% em 2028. O indicador mede a capacidade de gerar lucro em relação ao capital dos acionistas. São estimativas, não resultados já registrados, e mostram uma melhora gradual esperada depois de um período de desempenho mais fraco.

Correção vem após alta expressiva na segunda-feira

A queda desta terça-feira também ocorre depois de um pregão excepcionalmente positivo para o mercado financeiro. Na segunda-feira, o Ibovespa avançou 7,70% e fechou aos 206.911,89 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos no encerramento. As ações de bancos estiveram entre as que impulsionaram o índice, em reação ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.

Na terça-feira, o movimento perdeu força: por volta das 13h, o Ibovespa recuava 0,54%, aos 205.802,70 pontos. O Banco do Brasil liderava as perdas do índice naquele momento, seguido por BTG Pactual e B3. Assim, a baixa do BB combina a revisão do JPMorgan com a devolução de parte dos ganhos recentes do setor.

O que acompanhar após o rebaixamento

Para quem investe, a avaliação destaca que o desempenho da ação não depende apenas do nível geral dos juros. A evolução dos pagamentos no agronegócio, os efeitos sobre os lucros e a capacidade de manter dividendos também fazem parte dos fatores apontados pelo JPMorgan. A oscilação de um pregão, por si só, não confirma se as projeções da instituição vão se concretizar.

O próximo período será importante para observar se a carteira de crédito melhora ou continua pressionando os resultados. As projeções citadas indicam recuperação mais adiante, em 2028, mas o relatório considera 2027 ainda difícil. O mercado também seguirá comparando o efeito de eventuais mudanças nos juros sobre bancos com exposições diferentes a clientes e setores da economia.