A JBS se tornou a maior pagadora de dividendos entre as empresas brasileiras no segundo trimestre de 2026, ultrapassando a Petrobras no ranking internacional da Janus Henderson. Negociada diretamente na Bolsa de Nova York, a companhia também pode ser acessada por investidores brasileiros por meio do BDR JBSS32 na B3, o que coloca uma empresa do agronegócio no topo da distribuição de proventos no país.

JBS lidera lista brasileira de dividendos

O levantamento mostra que a JBS elevou o dividendo por ação de US$ 0,35 para US$ 1,00 no período. A Petrobras ficou na segunda posição entre as empresas brasileiras que mais distribuíram dividendos, seguida por Vivo, Bradesco, Banco do Brasil, Rede D’Or São Luiz, B3 e Sabesp.

A lista considera companhias brasileiras ou ligadas ao mercado local dentro do índice global. Por isso, a liderança da JBS não significa que suas ações ordinárias sejam negociadas na B3, mas que o investidor brasileiro tem exposição à empresa por meio do BDR, recibo que representa uma ação emitida no exterior.

Empresas brasileiras distribuíram US$ 4,4 bilhões

As companhias brasileiras pagaram US$ 4,4 bilhões em dividendos no segundo trimestre de 2026, cerca de R$ 22,65 bilhões. O valor representa crescimento subjacente de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025, já descontados os efeitos da variação cambial e pagamentos considerados extraordinários.

O Brasil respondeu por 38% dos dividendos distribuídos por empresas da América Latina e ficou na 26ª posição entre os 45 países analisados, empatado com a Bélgica. O resultado ocorreu em um ambiente no qual o Ibovespa acumulava alta de 15,70% desde o início de 2026.

Dividendos crescem em ritmo menor que as recompras

Embora os dividendos tenham avançado, a principal forma de retorno aos acionistas no mundo foi a recompra de ações. Nesse mecanismo, a empresa usa recursos para comprar seus próprios papéis no mercado, reduzindo a quantidade de ações em circulação e potencialmente aumentando a participação relativa dos acionistas remanescentes.

Os programas globais de recompra chegaram a US$ 572 bilhões no segundo trimestre, alta nominal de 26,8% em um ano. A tecnologia liderou esse movimento, com US$ 121,1 bilhões em recompras. No Brasil, as empresas recompraram US$ 1,1 bilhão em ações, o maior valor da América Latina, contra US$ 400 milhões no México.

Por que as empresas preferem recomprar ações

A recompra oferece mais flexibilidade do que o dividendo regular. Depois que um pagamento periódico é estabelecido, reduzi-lo pode ser interpretado pelo mercado como sinal de dificuldade financeira. Já a recompra pode ser ampliada, reduzida ou interrompida de acordo com o caixa disponível e as condições do mercado.

No cenário global, os dividendos somaram US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre, com crescimento subjacente de 7,3%. O setor financeiro continuou como a maior fonte de proventos, com US$ 239,7 bilhões distribuídos, aumento de 8,1%.

O que o ranking sinaliza para o investidor

Para quem acompanha ações pagadoras de dividendos, a liderança da JBS reforça que a composição dos proventos pode mudar de um trimestre para outro conforme os resultados, a geração de caixa e as decisões das companhias. O valor distribuído não representa, sozinho, retorno garantido nem permite concluir sobre o desempenho futuro dos papéis.

As projeções da Janus Henderson apontam para crescimento global de 5% a 6% nos dividendos em 2026 e de 7% a 8% nas recompras. No Brasil, a evolução dos pagamentos continuará ligada à capacidade de geração de caixa das empresas e às decisões de distribuição tomadas por cada companhia.