A JBS apresentou uma proposta não vinculante para adquirir os 18% da Pilgrim’s Pride que ainda estão nas mãos de acionistas minoritários. A operação, feita por meio de troca de ações, impulsionou os papéis da companhia brasileira em Nova York: às 10h38 no horário local, 11h38 em Brasília, a ação subia 3,77%, a US$ 14,16. Se for concluída, a Pilgrim’s deixará de ser negociada na Nasdaq e se tornará uma subsidiária integral da JBS.
Como funcionará a troca de ações
A JBS já controla aproximadamente 82% da Pilgrim’s Pride. Pela proposta, cada acionista minoritário receberia 2,086 ações Classe A da JBS para cada ação da Pilgrim’s. A relação foi calculada com base nos preços de fechamento de 18 de agosto: US$ 13,66 para a JBS e US$ 28,49 para a Pilgrim’s.
Na prática, a operação não prevê pagamento em dinheiro aos minoritários. A JBS afirma que pretende simplificar a estrutura societária do grupo, eliminar os custos de manter a Pilgrim’s como uma empresa independente de capital aberto e oferecer aos acionistas da subsidiária exposição a uma companhia maior e com ações mais líquidas.
Por que o Safra considera a proposta positiva
O Safra avalia que a transação pode encerrar uma etapa da reorganização societária da JBS por uma avaliação razoável. O banco observa que a relação de troca não oferece prêmio: considerando os preços de 18 de agosto, as 2,086 ações da JBS equivalem exatamente aos US$ 28,49 de cada ação da Pilgrim’s.
O banco também compara o EV/Ebitda, indicador que relaciona o valor total da empresa à sua geração operacional de caixa. A JBS negocia a 6,2 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses, enquanto a Pilgrim’s está em 5,6 vezes, segundo números no padrão contábil norte-americano. Isso representa um prêmio de 11% para a JBS, embora o Safra destaque que os resultados recentes das duas companhias estão pressionados por fatores específicos e potencialmente transitórios.
Na JBS, pesam as margens próximas das mínimas do ciclo no negócio de carne bovina nos Estados Unidos. Na Pilgrim’s, os principais obstáculos citados são custos de reestruturação e ineficiências operacionais.
BofA vê diluição, mas ganhos estruturais
O Bank of America também considera a proposta positiva, embora estime uma diluição de cerca de 3% para os acionistas da JBS. Diluição significa que a emissão de novas ações aumenta a quantidade total de papéis e reduz, proporcionalmente, a participação dos acionistas atuais nos resultados.
Na avaliação do banco, os valores considerados justos — US$ 19 por ação para a JBS e US$ 30 para a Pilgrim’s — apontariam para uma relação de troca de 1,58 ação, abaixo das 2,086 oferecidas. Ainda assim, o BofA destaca que a operação permite consolidar a subsidiária sem desembolso de caixa, reter uma parcela maior de seus fluxos financeiros e concentrar a liquidez no nível da JBS.
A proposta também é vista como mais atraente do que a tentativa de 2021. Naquele ano, a JBS ofereceu inicialmente US$ 26,50 por ação da Pilgrim’s em dinheiro e depois elevou o valor para US$ 28,50. As ofertas foram rejeitadas pelo comitê independente da subsidiária, e a JBS retirou a proposta em fevereiro de 2022.
O que observar após a reação em Nova York
O BofA mantém recomendação de compra para a JBS e preço-alvo de US$ 19, enquanto o Safra tem recomendação neutra e preço-alvo de US$ 15. O banco norte-americano afirma que as ações caíram 26% desde o pico de abril e projeta dividend yield de 7,6% em 2027, podendo chegar a aproximadamente 10% em bases normalizadas. O indicador mede a relação entre os dividendos pagos e o preço da ação.
Para quem acompanha a empresa, os próximos pontos são a análise da proposta pelos acionistas minoritários e a evolução das negociações, já que a oferta ainda não é vinculante. Também será necessário avaliar se os benefícios de simplificação e maior retenção de caixa compensarão a emissão de ações e a eventual diluição dos atuais acionistas da JBS.
