O Japão recebeu 110,6 mil visitantes brasileiros em 2025, alta de 29% em relação a 2024 e mais que o dobro do registrado em 2019, antes da pandemia. O número ajuda a explicar por que o país se tornou um destino mais procurado: além do interesse crescente pela cultura japonesa, a desvalorização do iene reduziu o custo relativo de hotéis, restaurantes, compras e outros serviços para quem leva reais convertidos em moeda estrangeira.

Busca por viagens ao Japão continua crescendo em 2026

O interesse dos brasileiros não ficou restrito ao resultado de 2025. As buscas por viagens ao Japão feitas no Skyscanner cresceram 22% em 2026, na comparação com o ano anterior. A combinação entre o câmbio mais favorável, a dispensa de visto e a popularidade do país entre turistas ajuda a sustentar esse movimento.

Desde setembro de 2023, brasileiros com passaporte comum eletrônico podem entrar no Japão sem visto para estadias de até 90 dias. A regra está prevista para continuar em vigor até 2029, o que reduz uma etapa burocrática importante para quem planeja a viagem.

Iene fraco amplia o poder de compra, mas não elimina os custos

O iene desvalorizado significa que cada real ou dólar convertido compra uma quantidade maior da moeda japonesa. Em 2026, o iene chegou a 162 por dólar, o menor nível em quatro décadas. Na prática, isso favorece despesas feitas no Japão, como alimentação, transporte e compras, embora o custo total também dependa do câmbio entre o real e a moeda estrangeira.

A passagem aérea continua sendo uma das principais barreiras. Um bilhete de São Paulo para Tóquio, em classe econômica, custa em média entre R$ 3 mil e R$ 6 mil por trecho. Não há voos diretos entre os dois países, e o deslocamento costuma levar mais de 25 horas, com pelo menos uma conexão.

Transporte e hospedagem concentram parte relevante do orçamento

Dentro do Japão, o trem-bala entre Tóquio e Kyoto custa a partir de cerca de R$ 528. A opção de primeira classe fica em torno de R$ 720. Também existe o Japan Rail Pass, que permite viagens ilimitadas por sete, 14 ou 21 dias, com preços aproximados de R$ 1.713, R$ 2.743 e R$ 3.426, respectivamente.

A escolha entre o passe e bilhetes avulsos depende da quantidade de deslocamentos prevista no roteiro. Na hospedagem, há desde hotéis econômicos até estabelecimentos de alto padrão. Os ryokans, hospedagens tradicionais com tatame, futons, banhos termais e, em alguns casos, refeições no local, tendem a custar mais, especialmente quando incluem a gastronomia kaiseki.

Alimentação e compras podem compensar parte da viagem

A alimentação oferece alternativas para diferentes orçamentos. De acordo com o consultor e guia de turismo Roberto Maxwell, que vive no Japão desde 2005, é possível comer bem gastando pouco, enquanto até restaurantes sofisticados podem apresentar uma relação de custo-benefício competitiva com a de outros países.

O brasileiro Angelo Eduardo Kanashiro, que visitou o país em maio de 2026, relatou ter gasto entre 1.000 e 2.000 ienes por refeição, o equivalente a aproximadamente R$ 32 a R$ 65. O iene fraco também favorece compras de roupas, eletrônicos, relógios, câmeras e produtos de marcas japonesas. Segundo ele, um relógio Garmin custou menos da metade do preço encontrado no Brasil.

Reembolso de imposto mudará a partir de novembro

O sistema tax-free, que permite ao turista recuperar o imposto sobre o consumo em estabelecimentos participantes, continuará existindo, mas terá uma alteração importante a partir de 1º de novembro de 2026. O visitante deverá pagar o imposto no momento da compra e solicitar o reembolso no aeroporto.

Para quem investe, consome ou trabalha, o dado mais relevante é que o recorde de visitantes mostra como o câmbio pode alterar o poder de compra em viagens internacionais sem necessariamente reduzir todos os custos. Passagens, hospedagem e o planejamento do roteiro continuam determinantes, enquanto a cotação do iene e as regras de compras devem ser acompanhadas antes do embarque.