As ações do Itaú avançaram 11,91% e as da B3 saltaram 25,11% durante o pregão desta segunda-feira (5), primeiro após as eleições. O movimento chama atenção pela dimensão dos ganhos e reflete uma mudança nas expectativas dos investidores sobre juros e cenário fiscal até o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
Como ficaram as ações durante o pregão
Por volta da tarde, os papéis preferenciais do Itaú (ITUB4) eram negociados a R$ 50,17. Já as ações da B3 (B3SA3) estavam em R$ 23,77. Os percentuais são parciais, registrados enquanto a bolsa ainda operava, e indicam a valorização ao longo da sessão em relação ao fechamento anterior.
O avanço não ficou restrito às duas companhias. As units do BTG Pactual (BPAC11) subiam 25,55%, a R$ 82,89, também durante o pregão. Os números mostram uma alta expressiva em empresas financeiras, mas não significam que as ações manterão o mesmo desempenho nos próximos dias.
Queda dos juros futuros favorece ações
Um dos fatores por trás da reação foi o recuo dos juros futuros, taxas negociadas no mercado que refletem as expectativas para os juros nos próximos anos. A definição do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva levou investidores a reavaliar o cenário para as contas públicas, segundo a leitura de mercado citada por Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Quando essas taxas caem, o retorno exigido para investir em ações pode diminuir, o que tende a favorecer a avaliação das empresas na bolsa. A redução também pode aliviar o custo de financiamento de companhias e famílias e, com o tempo, reduzir a pressão sobre a inadimplência. Trata-se, porém, de uma expectativa do mercado: não significa que a Selic tenha sido alterada nesta segunda-feira.
O que pode beneficiar o Itaú
Para o Itaú, a combinação de juros futuros menores e perspectiva mais favorável para as contas públicas ajuda a explicar a valorização. O custo do crédito e a capacidade de pagamento dos clientes são relevantes para os bancos: uma melhora nessas condições pode reduzir riscos de calote e apoiar os resultados do setor.
Também pesou a revisão de avaliação do mercado brasileiro por parte do JPMorgan. Na segunda-feira, o banco elevou sua recomendação para ações do país de neutra para exposição acima da média, sinalizando uma relação entre risco e retorno que considerou mais favorável após o primeiro turno. Essa avaliação não elimina os riscos nem garante ganhos futuros.
Por que a B3 teve uma alta maior
A B3 tem uma atividade diferente da de um banco: ela opera a infraestrutura usada para negociar ações e outros ativos. Por isso, uma expectativa de maior participação de investidores e de aumento dos volumes negociados pode favorecer a companhia, já que mais atividade no mercado pode ampliar receitas ligadas às operações.
A valorização de 25,11% registrada durante a sessão foi superior à alta de 11,91% do Itaú. Ainda assim, as duas variações refletem expectativas, não uma mudança já confirmada na atividade ou nas receitas da B3. O comportamento dos investidores nos próximos pregões será importante para avaliar se o movimento ganha continuidade.
O que observar até o segundo turno
O cenário ainda pode mudar até 25 de outubro. Perri considera possível que investidores vendam ações para realizar lucros, especialmente depois de uma sessão de altas tão fortes. Essa possibilidade pode gerar oscilações mesmo que as expectativas sobre juros e política fiscal continuem influenciando os preços.
Para quem investe, o avanço do Itaú e da B3 mostra como mudanças nas expectativas podem mexer rapidamente com as cotações, mas não define o desempenho futuro dos papéis. Para os próximos dias, os pontos centrais são a trajetória dos juros futuros, as avaliações sobre as contas públicas e a reação do mercado ao cenário eleitoral — sem confundir essas apostas com decisões já implementadas.
