As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) são as mais recomendadas para a carteira em agosto, segundo levantamento com 14 analistas de mercado. O papel aparece em 10 das carteiras divulgadas, à frente de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), que também seguem entre as preferidas. A preferência reflete a sequência de lucros consistentes do banco e a leitura positiva sobre os balanços das grandes companhias listadas na bolsa.

O que explica a liderança do Itaú

O Itaú voltou a surpreender no segundo trimestre por entregar exatamente o que o mercado esperava: lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% na comparação anual. Foi a 11ª alta consecutiva do resultado trimestral — a última queda ocorreu no terceiro trimestre de 2023, quando o banco ainda sentia os efeitos do caso Americanas.

O Santander elevou o preço-alvo das ações ITUB4 de R$ 49 para R$ 50 para o fim deste ano, o que implica potencial de valorização de 19,5% sobre o fechamento da última quinta-feira (6). Analistas ouvidos no levantamento destacam que, apesar de um ritmo de expansão mais moderado, os resultados reforçam a qualidade do banco e a previsibilidade de geração de valor no longo prazo.

Vale e Petrobras: pesos-pesados que seguem firmes

A Vale aparece com 9 indicações. A mineradora reportou lucro líquido de R$ 6,847 bilhões no segundo trimestre, queda de 43,3% ante o mesmo período do ano passado, mas com receita líquida em alta de 6,4%, para R$ 53 bilhões, puxada pela divisão de metais básicos. O Ebitda ajustado recuou 3,3%, para R$ 18,5 bilhões, ainda assim considerado satisfatório pelos analistas.

Já a Petrobras (PETR4) recebeu 8 indicações. A estatal lucrou R$ 52,4 bilhões no trimestre, acima da expectativa do mercado, que projetava R$ 50,8 bilhões. O resultado foi impulsionado pela produção recorde de petróleo, pelos preços mais altos do Brent e pela forte geração de caixa. O lucro recorrente, que exclui efeitos extraordinários, chegou a R$ 55,8 bilhões, com Ebitda ajustado recorrente de R$ 100,6 bilhões.

O ranking completo das 10 mais recomendadas

Além de Itaú, Vale e Petrobras, outras sete empresas completam a lista das ações mais citadas nas carteiras de agosto. Veja o número de indicações de cada uma:

  • Itaú Unibanco (ITUB4): 10
  • Vale (VALE3): 9
  • Petrobras PN (PETR4): 8
  • Embraer (EMBJ3): 8
  • Axia Energia (AXIA3): 6
  • Bradesco PN (BBDC4): 6
  • Sabesp (SBSP3): 5
  • BB Seguridade (BBSE3): 5
  • BTG Pactual (BPCA11): 4
  • Itaúsa (ITSA4): 4

O levantamento consolidou 143 recomendações de 16 instituições, que indicaram 51 papéis diferentes no total.

O que move as preferências além dos balanços

Em um cenário de juros ainda elevados no Brasil, os analistas tendem a priorizar empresas com geração de caixa consistente e histórico de dividendos. Bancos como Itaú e Bradesco, além de seguradoras como BB Seguridade, oferecem previsibilidade de receita — um atributo valorizado quando a renda fixa ainda rende bem. Por outro lado, Vale e Petrobras dependem de variáveis externas, como o preço do minério e do petróleo, mas seguem atraentes pela política de proventos e pela escala.

A presença de Embraer e Axia Energia mostra que o mercado também busca exposição a setores com crescimento próprio, como aviação e energia. O ranking reflete um equilíbrio entre defensividade e potencial de valorização, em um momento de recuperação dos lucros corporativos após dois anos de ajustes.

O que observar daqui para frente

Para quem monta ou revisa a carteira, o principal ponto de atenção é o comportamento dos juros. Se o Banco Central sinalizar cortes na Selic, a bolsa como um todo tende a se beneficiar, especialmente papéis de maior risco. Mas, se o ciclo de queda for interrompido, ações de bancos e utilities ganham ainda mais relevância por seu perfil de renda previsível.

Além disso, acompanhar os próximos balanços e a evolução das commodities é essencial. Vale e Petrobras já mostraram resultados robustos, mas seus desempenhos futuros seguem ligados ao cenário global. O Itaú, por sua vez, deve manter a trajetória de lucros, embora em ritmo menos acelerado. A decisão final de alocar recursos, no entanto, depende do perfil de cada investidor e do horizonte de cada estratégia.