O Itaú BBA identificou potencial de valorização superior a 40% em sete ações do varejo, caso os juros caiam e os múltiplos das empresas voltem a níveis considerados normalizados. A estimativa surge após o rali de ações cíclicas ligado ao resultado do primeiro turno das eleições: na segunda-feira (5), por exemplo, Magazine Luiza avançou mais de 20% no pregão. O banco ressalva, porém, que os lucros de várias varejistas ainda estão sob pressão.
O cenário usado para calcular o potencial das ações
A análise do BBA combina três hipóteses: uma queda de 300 pontos-base na curva de juros, que levaria os juros reais a 6%; diferentes cenários de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com efeitos sobre a receita das empresas; e múltiplos de avaliação compatíveis com juros mais baixos. São premissas para testar sensibilidades, não uma previsão de que os juros necessariamente seguirão esse caminho.
Para estimar a possível valorização, os analistas consideraram lucros e múltiplos normalizados para 2027. O múltiplo mais citado é o P/L (preço sobre o lucro): ele relaciona o preço da ação ao lucro da empresa e ajuda a comparar quanto o mercado paga por esses resultados. Uma alta projetada depende, portanto, tanto do desempenho dos negócios quanto de uma mudança na avaliação dada pelos investidores.
Sete varejistas aparecem com potencial acima de 40%
Na lista do Itaú BBA estão Pague Menos (PGMN3), Smart Fit (SMFT3), C&A (CEAB3), Grupo SBF (SBFG3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Quero-Quero (LJQQ3) e Allied Tecnologia (ALLD3). Para o banco, essas ações negociam com desconto em relação ao que poderiam valer em um cenário de múltiplos normalizados, embora os fundamentos de algumas empresas continuem desafiadores.
Entre os P/L projetados para 2027 informados pelo BBA, Pague Menos e C&A aparecem a 7,5 vezes; Magazine Luiza, a 9 vezes; Smart Fit, a 11,5 vezes; Grupo SBF, a 5 vezes; e Allied, a 3,5 vezes. O banco também destaca que Pague Menos, Magalu e Lojas Quero-Quero podem se beneficiar diretamente da redução dos juros por causa do nível de endividamento dessas empresas.
Juros menores podem favorecer varejistas, mas não resolvem tudo
Quando os juros caem, o custo de empréstimos e financiamentos tende a diminuir. Isso pode aliviar as despesas financeiras de empresas endividadas e, para os consumidores, reduzir o custo do crédito e favorecer compras parceladas. Além disso, investidores podem aceitar pagar mais pelas ações quando a renda fixa oferece retornos menores e os lucros futuros passam a valer mais na avaliação de hoje.
Esse possível impulso macroeconômico não elimina os problemas específicos das companhias. O próprio BBA observa que os lucros ainda estão se deteriorando em diversas empresas do setor. A tese depende de o efeito de juros e múltiplos compensar, ao menos por algum tempo, um quadro operacional que permanece fraco.
Quatro ações têm potencial estimado entre 30% e 40%
O banco também considera atraentes, em termos de potencial de alta, RD Saúde (RADL3), Vivara (VIVA3), Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3). Para esse grupo, a estimativa fica entre 30% e 40%, apoiada principalmente na possibilidade de reavaliação dos múltiplos.
Na visão dos analistas, RD Saúde, Vivara e Renner ainda poderiam se beneficiar de uma retomada do fluxo de capital estrangeiro em um ambiente de juros mais baixos. Isso não significa que esse fluxo esteja garantido: trata-se de uma possibilidade considerada na análise, sujeita às condições do mercado e à evolução de cada empresa.
O que observar depois do rali recente
O BBA adota uma leitura mais cautelosa para Natura (NATU3) e Assaí (ASAI3). Após revisões para baixo nas estimativas de lucro, a Natura estaria próxima do que o banco considera seu valuation normalizado, limitando o potencial relativo. O Assaí, apesar de poder atrair recursos estrangeiros e se beneficiar de juros menores, já havia subido 51% em outubro e 56% nos 30 dias anteriores à análise, reduzindo o espaço restante segundo essa avaliação.
Para quem acompanha o setor, a distinção importante é entre potencial calculado sob hipóteses e desempenho efetivo: as projeções dependem de juros, atividade econômica, lucros e avaliações futuras. O próximo passo é observar se as condições macroeconômicas melhoram e se as empresas conseguem interromper a deterioração dos resultados. Os números do BBA são cenários de análise, não garantias de retorno nem recomendações de investimento.
