O Itaú BBA trocou três ações de sua carteira recomendada para setembro e adotou uma postura mais defensiva diante das incertezas fiscais, eleitorais e externas. Nubank, Sabesp e Bradesco saíram da seleção, enquanto BTG Pactual, Eneva e Suzano entraram; na nova composição, o potencial de alta em relação aos preços justos chega a 41,1%, no caso da Axia Energia.
Como ficou a nova carteira de cinco ações
A carteira passou a ter cinco papéis com pesos iguais de 20%. Além da Axia Energia, permanecem Embraer, BTG Pactual, Eneva e Suzano. Os preços justos e potenciais estimados pelo banco são:
- Embraer (EMBJ3): preço justo de R$ 124,00 e potencial de alta de 33,2%;
- BTG Pactual (BPAC11): R$ 67,00 e potencial de 22,5%;
- Eneva (ENEV3): R$ 32,70 e potencial de 24,6%;
- Axia Energia (AXIA3): R$ 75,20 e potencial de 41,1%;
- Suzano (SUZB3): R$ 58,00 e potencial de 27,8%.
O potencial de alta é a diferença entre a cotação considerada no estudo e o preço justo calculado pelo banco. Não representa garantia de valorização nem uma projeção de retorno em determinado prazo.
Por que o BTG substituiu o Nubank
A mudança reduz a exposição da carteira ao crédito para pessoas físicas. Com juros elevados e famílias mais endividadas, aumenta o risco de inadimplência e de desaceleração na concessão de empréstimos ao consumidor, fatores que podem pressionar os resultados de bancos mais ligados ao varejo.
O BTG mantém a presença do setor financeiro, mas tem receitas distribuídas entre banco de investimento, crédito corporativo, negociação de ativos, gestão de recursos e gestão de patrimônio. Para o Itaú BBA, essa diversificação, combinada a crescimento de lucros e rentabilidade elevada, torna o banco menos dependente do consumo das famílias.
Eneva e Suzano ampliam a proteção contra riscos domésticos
A Eneva entrou no lugar da Sabesp por oferecer, na avaliação do Itaú BBA, maior previsibilidade de resultados. A companhia conta com receitas contratadas e pode ter novos gatilhos ligados ao acionamento de termelétricas, à comercialização de gás e energia e à expansão da flexibilidade do sistema elétrico.
Já a Suzano substituiu o Bradesco e acrescentou uma empresa com vendas concentradas no exterior e receitas em dólar. Esse perfil reduz a dependência da atividade econômica brasileira e oferece proteção parcial contra riscos fiscais, cambiais e eleitorais. Mesmo com a celulose ainda pressionada, o banco considera que a ação negocia com múltiplos descontados e apresenta geração de caixa atrativa.
O cenário que levou o banco a ficar mais defensivo
A revisão ocorreu após um agosto de maior aversão a risco na Bolsa brasileira. Investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 18,5 bilhões do mercado de ações no mês, enquanto o Ibovespa terminou o período com queda de 0,3%, depois de acumular perda de 6,5% até 18 de agosto.
No exterior, as tensões no Oriente Médio mantiveram o petróleo em níveis elevados, aumentando a preocupação com a inflação. Também subiram os juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos, em meio às dúvidas sobre a trajetória da dívida pública americana. O avanço da inteligência artificial ainda direcionou parte dos recursos para Taiwan e Coreia do Sul, onde estão grandes fabricantes de chips e memórias.
O que observar na carteira daqui em diante
As eleições brasileiras e as incertezas sobre as contas públicas continuam entre os principais riscos para os ativos domésticos. O Itaú BBA também destacou que bons resultados corporativos não foram suficientes para sustentar as ações: cerca de 85% dos balanços do segundo trimestre ficaram em linha ou acima das projeções da casa, mas 52% dos papéis caíram no pregão seguinte.
Na prática, a nova seleção privilegia empresas com receitas contratadas, exposição internacional ou negócios diversificados. A composição reflete uma leitura específica do banco sobre risco e valuation, e os preços justos podem mudar conforme juros, câmbio, commodities e resultados. O desempenho dos papéis dependerá desses fatores e da evolução do ambiente doméstico e global.
