O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da Sabesp (SBSP3) de R$ 34 para R$ 33,10 depois que a companhia perdeu cerca de R$ 17 bilhões em valor de mercado após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026. Apesar do corte, o banco manteve sua recomendação de compra, por considerar que a reação negativa da ação foi maior do que a deterioração prevista nos fundamentos da empresa.

Queda da ação foi maior que o impacto estimado nos fundamentos

O BBA calcula que as premissas revisadas para a Sabesp representam uma destruição de valor de aproximadamente R$ 3,3 bilhões. O montante é bem inferior aos cerca de R$ 17,5 bilhões eliminados do valor de mercado da companhia após os resultados, na comparação considerada pelo banco.

Essa diferença sugere, na avaliação da instituição, que o mercado passou a embutir uma piora muito mais persistente na rentabilidade e na execução da empresa do que aquela contemplada nas projeções atualizadas. Por isso, mesmo com a redução do preço-alvo, o banco afirma que não identificou uma mudança estrutural na tese de investimento.

Custos adicionais de R$ 800 milhões pesam sobre a Sabesp

O principal ponto da revisão foi o aumento de R$ 800 milhões nas despesas da companhia. Segundo o BBA, esse impacto é dividido de forma semelhante entre receitas e custos, mas as duas parcelas têm efeitos econômicos diferentes sobre o resultado futuro.

A estimativa é que apenas 20% a 25% desse pacote permaneça na base de custos de longo prazo. Com isso, o impacto recorrente seria de aproximadamente R$ 170 milhões a R$ 200 milhões. A diferença entre o valor total anunciado e a parcela permanente é importante porque despesas temporárias ou passíveis de repasse não reduzem o potencial de geração de caixa da mesma maneira que custos estruturais.

Investimentos devem ocorrer em ritmo sazonal

Outro fator que influenciou a avaliação foi a execução dos investimentos, ou capex, abaixo do esperado no curto prazo. O banco, porém, identificou que a realização dessas despesas tende a ocorrer de maneira sazonal, e não de forma linear ao longo dos trimestres.

Na prática, isso significa que um volume menor de investimentos em determinado período não necessariamente indica abandono ou redução permanente do plano da companhia. A concentração de desembolsos em etapas posteriores do ano pode alterar a leitura de curto prazo sobre a execução, sem representar, por si só, uma mudança definitiva na estratégia operacional.

Estimativas de Ebitda foram reduzidas, mas efeito é limitado

O Itaú BBA também revisou as projeções de Ebitda, indicador que mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização. As alterações são consideradas relevantes para os resultados de curto prazo, mas modestas diante da correção observada no preço da ação.

Além disso, o banco ressalta que suas estimativas de Ebitda incluem efeitos não recorrentes e itens repassáveis, conhecidos como pass-through. Esses componentes podem elevar ou reduzir o resultado contábil de um período sem alterar na mesma proporção a rentabilidade recorrente da empresa.

O que o novo preço-alvo indica para o investidor

O preço-alvo de R$ 33,10 representa um potencial de valorização de 39% em relação ao fechamento anterior, em 21 de agosto. Por volta das 14h36 de 24 de agosto, as ações SBSP3 subiam 1,43%, a R$ 24,09.

A leitura do BBA é que os desafios recentes exigem acompanhamento da evolução dos custos, da captura de eficiência e da execução dos investimentos, mas ainda não justificam uma revisão estrutural do valor da companhia. Para o investidor, o cenário combina uma ação pressionada por expectativas mais baixas com riscos de execução que continuam presentes; os próximos resultados deverão mostrar se a parcela recorrente das despesas ficará próxima das estimativas atuais.