O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da BrasilAgro (AGRO3) de R$ 24, previsto para o fim de 2026, para R$ 22 ao fim de 2027. O corte ocorreu mesmo com uma avaliação mais favorável para as commodities agrícolas e com a expectativa de retomada das vendas de fazendas, mostrando que a melhora operacional ainda não compensou totalmente a base de resultados mais fraca deixada pelo ano fiscal de 2026.
Alvo menor ainda indica potencial de valorização
O novo preço-alvo foi calculado com base em uma cotação de R$ 19,28 usada no relatório. Assim, ele representa um potencial de alta de 14,1% em relação a esse valor. A recomendação foi mantida em market perform, classificação equivalente a uma visão neutra sobre o desempenho esperado da ação.
Na prática, o banco reconhece que a recuperação da BrasilAgro começa a aparecer, mas ainda não vê elementos suficientes para adotar uma postura mais otimista. A revisão incorporou um cenário melhor para os preços agrícolas, a retomada das vendas de propriedades em 2027 e o novo guidance da companhia, que reúne as projeções divulgadas pela administração.
Base mais fraca limita as projeções para 2027
O principal ponto de cautela está no desempenho abaixo do esperado no ano fiscal de 2026. Como a empresa parte de um nível menor de lucro, o Itaú BBA reduziu suas estimativas para 2027 em comparação com o modelo anterior, mesmo ao atualizar as premissas para commodities e vendas de terras.
Os analistas também querem observar retornos mais fortes do fluxo de caixa livre ao acionista em 2027 e 2028. Esse indicador mostra quanto dinheiro pode sobrar para remunerar investidores depois dos investimentos e das necessidades operacionais da companhia.
Preços agrícolas e custos podem ampliar as margens
A recuperação das cotações de grãos, algodão e açúcar tende a favorecer a rentabilidade do portfólio agrícola. Nos grãos, a demanda por biocombustíveis aparece como um dos principais impulsionadores. No açúcar, o banco identifica um ambiente mais favorável depois de um período prolongado de preços abaixo dos custos de produção.
Os custos também ajudam o cenário. A administração projeta alta anual de apenas 2% no custo unitário da soja na safra 2026/27, enquanto milho e algodão podem registrar quedas de dois dígitos. O BBA avaliou positivamente a estratégia de compra de insumos, especialmente pelo momento e pelos preços das aquisições, embora os fertilizantes nitrogenados continuem sujeitos a volatilidade.
Clima e mix de culturas mantêm riscos elevados
O possível impacto do El Niño é uma das razões para a cautela do banco. A BrasilAgro adotou uma estratégia mais seletiva para a safra 2026/27, priorizando rentabilidade e redução de riscos. Com isso, a área plantada consolidada deverá recuar 1% em relação à safra anterior.
A companhia pretende ampliar o algodão de segunda safra em áreas irrigadas e transferir parte das áreas de soja e algodão de primeira safra para o milho. As estimativas de produção, portanto, podem mudar ao longo da temporada, conforme as condições climáticas alterem a produtividade e o mix de culturas. O portfólio de terras mais maduro e os investimentos em irrigação ajudam a limitar essa exposição, mas não eliminam a incerteza.
Venda de fazendas é o próximo teste para a tese
A retomada das vendas de propriedades em 2027 é outro componente importante da recuperação esperada. Essas operações fazem parte do modelo de negócios da BrasilAgro, mas tiveram contribuição limitada em 2026, em razão da menor liquidez do mercado e da postura mais cautelosa dos compradores de terras rurais.
A empresa também pode aproveitar uma eventual recuperação das commodities para realizar novas operações de hedge, mecanismo usado para proteger parte das margens contra quedas futuras de preços. Para os investidores, os próximos sinais relevantes serão a geração de caixa em 2027 e 2028, a execução das vendas de fazendas e a evolução do clima durante a safra.
