O Itaú BBA manteve a recomendação de compra para as ações da B3 e elevou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 23, mesmo após a valorização recente dos papéis. A avaliação indica que o banco ainda vê potencial de alta, mas considera que a margem para uma valorização apoiada apenas pelo preço ficou menor: para avançar, a ação dependerá cada vez mais de melhora nas projeções de lucro e de um ambiente favorável ao mercado de capitais.

Mais negociação pode ampliar os resultados

O principal argumento para uma possível expansão dos resultados é o aumento da atividade na bolsa. O volume médio diário negociado (ADTV) em ações passou de R$ 22,6 bilhões em julho para R$ 30,3 bilhões em agosto. Em setembro, até o dia 18, chegou a R$ 32,8 bilhões. O indicador mede quanto é negociado, em média, por dia.

O Itaú BBA estima que o volume possa alcançar R$ 43 bilhões em 2027 num cenário moderado e R$ 65 bilhões num cenário mais forte. A projeção-base do banco é de R$ 37 bilhões. Se o cenário mais otimista se concretizar, o lucro líquido da B3 em 2027 poderia ficar até 21% acima da estimativa atual, de R$ 6,9 bilhões.

Esse crescimento não depende apenas de mais movimentação pontual. Em geral, juros menos atraentes podem tornar a renda variável relativamente mais competitiva, enquanto a perspectiva de juros favoráveis também pode estimular empresas e investidores a recorrerem mais ao mercado de capitais. O banco vê essa combinação como uma possível fonte de novas negociações, sem afirmar que ela já esteja garantida.

Investidores ainda têm pouca exposição a ações

Apesar da atividade maior, a recuperação ocorreu sem uma mudança ampla na distribuição dos investimentos. Fundos de ações e fundos multimercados com estratégias de proteção continuaram registrando resgates. As ações representam cerca de 7% dos ativos de investidores institucionais locais e 15% das carteiras de pessoas físicas.

Além disso, a alocação de fundos de índice globais no Brasil está em aproximadamente metade do pico registrado na última década. Para o BBA, esses dados indicam que uma eventual retomada mais abrangente poderia ganhar força se investidores direcionassem uma parcela maior de seus recursos para ações — e não apenas se o volume aumentasse por uma melhora temporária nos negócios.

Valorização reduziu a margem de segurança

A B3 é negociada a cerca de 12,8 vezes o lucro recorrente estimado para 2027. Excluídos benefícios extraordinários ligados aos juros sobre capital próprio, o múltiplo sobe para 14,4 vezes. O Itaú BBA considera que esse patamar já parece elevado em relação ao histórico quando comparado aos juros de longo prazo no Brasil.

Após a alta, o múltiplo está perto de 13 vezes o lucro, em linha com a média observada desde 2023. O banco calcula que há distância semelhante entre uma queda até 10,5 vezes e uma alta até 15,6 vezes, níveis equivalentes, respectivamente, a um desvio-padrão abaixo e acima da média histórica. O desconto da B3 ante bolsas globais também diminuiu: de cerca de 40% no início de agosto para 20%, abaixo da média de 27% desde 2019.

Estimativas maiores e atenção ao próximo trimestre

O banco elevou em 2% suas estimativas de lucro por ação recorrente para 2026 e 2027, considerando a evolução recente dos indicadores operacionais e pagamentos maiores de juros sobre capital próprio. Para o terceiro trimestre, porém, espera lucro por ação ligeiramente inferior ao do segundo, porque a recuperação dos volumes foi gradual após um julho sazonalmente mais fraco. Até o momento, setembro foi o mês mais forte do trimestre.

Na avaliação do BBA, a valorização adicional dependerá mais de revisões positivas nas estimativas de lucro. O banco não espera que despesas administrativas e comerciais ou mudanças de preços comprometam a conversão do aumento da atividade em resultado. Para quem acompanha a empresa, os próximos dados de negociação e a evolução das projeções ajudam a medir se o rali poderá ser sustentado pelos fundamentos; a recomendação do banco, por si só, não elimina os riscos nem determina a decisão de cada investidor.