A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo (POMO4) passou por uma revisão negativa de estimativas nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026. O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da ação de R$ 10,00 para R$ 7,50, uma queda de 25%, após os resultados do segundo trimestre ficarem abaixo do esperado. A recomendação, porém, foi mantida em outperform, que significa expectativa de desempenho acima da média do mercado.

A notícia importa para quem acompanha a empresa porque o corte reflete um momento de pressão sobre a demanda e a rentabilidade no curto prazo. Ao mesmo tempo, o banco enxerga fatores que limitam o potencial de queda do papel, especialmente o alto dividendo prometido aos acionistas.

Por que o banco reduziu as estimativas?

O Itaú BBA passou a projetar um lucro líquido de cerca de R$ 1,1 bilhão tanto para 2026 quanto para 2027. Esse número fica aproximadamente 12% abaixo do consenso do mercado, que reúne as expectativas de outras instituições. Na prática, significa que a casa enxerga menos espaço para geração de resultado do que os analistas em geral.

A revisão veio depois de um primeiro trimestre fraco e de um segundo trimestre que decepcionou. O banco avalia que os riscos para os resultados seguem negativos, mesmo com o valuation, ou seja, o preço da ação em relação aos lucros, aparentemente encontrando um piso. A recomendação é de que investidores adotem postura mais conservadora em relação aos números de 2027.

O papel caiu 20%: o que isso significa?

As ações da Marcopolo já acumulavam uma queda de cerca de 20% antes desta revisão. Essa desvalorização, combinada ao alto dividendo projetado, funciona como uma espécie de “colchão” contra novas perdas, na visão do banco. O dividend yield – indicador que mede o retorno de dividendos em relação ao preço da ação – está em aproximadamente 10% ao ano, um nível considerado elevado.

Esse rendimento é sustentado por um payout de 50%, ou seja, a empresa distribui metade do lucro aos acionistas. Com um balanço sólido e geração de caixa consistente, a Marcopolo consegue manter essa política de dividendos mesmo em um ambiente de resultados mais fracos.

Pontos positivos que sustentam a recomendação

Apesar do corte no preço-alvo, o Itaú BBA destaca vários fatores favoráveis. Primeiro, a exposição ao dólar é relevante: cerca de 40% da receita da companhia vem de mercados externos. Em um cenário de câmbio desvalorizado, isso ajuda a compensar a fraqueza no mercado doméstico.

Além disso, existe demanda reprimida em países como Brasil, México e Argentina, o que pode se converter em novos pedidos quando as condições econômicas melhorarem. O balanço financeiro é avaliado como sólido, dando margem para a empresa atravessar o período de turbulência sem apertos.

O que acompanhar nos próximos meses

O banco listou alguns pontos de atenção para o segundo semestre. O principal é o programa Caminho da Escola, que deve causar uma interrupção temporária nas entregas no terceiro trimestre. Isso pode pressionar ainda mais os resultados do período.

Também é preciso monitorar a evolução da carteira de pedidos e da demanda para o quarto trimestre, os dados mensais de vendas da FABUS (associação que reúne fabricantes de ônibus) e o comportamento do câmbio, que afeta diretamente a competitividade no exterior.

O que esperar para o investidor

A revisão do Itaú BBA indica que a recuperação das ações da Marcopolo pode ser lenta. O banco afirma ver pouco espaço para uma alta expressiva no curto prazo, diante das incertezas sobre demanda e margens. Para quem já possui o papel, o alto dividendo é uma fonte de retorno enquanto o preço não reage.

Para quem pensa em entrar, a avaliação é de que o preço atual já reflete boa parte dos riscos, mas os próximos balanços serão decisivos para confirmar se a empresa conseguirá navegar o ambiente difícil. A decisão de comprar, vender ou manter deve considerar o perfil de cada investidor, o horizonte de tempo e a tolerância a oscilações do mercado.