A Itaú Asset fechou uma aliança estratégica com a Vanguard, uma das maiores gestoras de ETFs do mundo, para ampliar a oferta de investimentos internacionais aos brasileiros. A primeira mudança prática já chegou ao SPXI11, ETF que acompanha o S&P 500, e o acordo também pode levar ao lançamento de novos produtos e a iniciativas de educação financeira.

O que muda na estrutura do SPXI11

Lançado pela Itaú Asset em 2015, o SPXI11 passou a utilizar como ativo subjacente — o investimento que serve de base para o fundo — o S&P 500 UCITS ETF da Vanguard. Esse produto oferece exposição às empresas que compõem o principal índice acionário dos Estados Unidos.

A principal alteração para o investidor está no tratamento dos dividendos recebidos pelas ações que fazem parte da carteira. Com a nova estrutura, os dividendos são reinvestidos automaticamente no próprio fundo, em vez de serem distribuídos diretamente. Na prática, o dinheiro volta para a carteira e pode contribuir para o crescimento do patrimônio ao longo do tempo, embora o resultado final continue sujeito à variação das ações e do câmbio.

Como a parceria pode ampliar o acesso ao exterior

A aliança combina o conhecimento da Itaú Asset sobre o investidor brasileiro com a experiência internacional da Vanguard na gestão de ETFs. A Itaú Asset administra cerca de US$ 250 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 1,3 trilhão, enquanto a Vanguard administra cerca de US$ 12 trilhões, ou R$ 61 trilhões. Os valores são os apresentados pelas gestoras.

O objetivo declarado é ampliar as alternativas de diversificação internacional, além de desenvolver soluções de portfólio e compartilhar conhecimento sobre a indústria de fundos de índice. Para o investidor, isso pode significar mais opções de acesso a mercados estrangeiros por meio de produtos negociados no Brasil, sem que cada novidade necessariamente exija a abertura de uma conta fora do país.

Por que o reinvestimento de dividendos importa

Um ETF de acumulação, como a estrutura descrita para o SPXI11, reaplica os proventos recebidos pelas empresas da carteira. Esse mecanismo permite que os dividendos passem a participar da valorização futura do fundo, criando o chamado efeito dos juros compostos ao longo do tempo.

Isso não elimina os riscos do investimento. O S&P 500 pode cair, as empresas podem reduzir seus dividendos e o câmbio pode afetar o valor do ETF em reais. Além disso, o reinvestimento não representa pagamento periódico na conta do cotista: o benefício ocorre dentro da própria carteira do fundo.

A estratégia internacional da Itaú Asset

A parceria com a Vanguard ocorre após outro acordo internacional firmado pela Itaú Asset com a Walleye Capital, gestora de investimentos alternativos sediada em Nova York. Como primeiro passo, a Walleye terá acesso a um grupo selecionado de estratégias de fundos multimercado da Itaú Asset por meio do Itaú Global Dinâmico.

As empresas também avaliarão novas oportunidades de colaboração. O acordo prevê uma conta administrada, estrutura que permite combinar estratégias de diferentes gestoras, além da busca por novos talentos e alternativas para fundos multimercado.

O que o investidor deve acompanhar daqui para frente

Por enquanto, a mudança concreta está concentrada no SPXI11 e no reinvestimento automático dos dividendos. Os próximos passos dependem do desenvolvimento de novos produtos e das condições regulatórias e comerciais para sua distribuição no mercado brasileiro.

Quem acompanha o ETF deve observar a composição do fundo, os custos, a liquidez, a exposição ao dólar e a forma como os dividendos são tratados. A parceria amplia o potencial de oferta de investimentos internacionais, mas não altera o princípio básico: ETFs de ações estão sujeitos às oscilações dos mercados e não oferecem retorno garantido.