O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira (16) que uma alta de 25 pontos-base nos juros dos Estados Unidos não altera o prêmio de risco associado ao Estreito de Ormuz. A declaração coloca o custo geopolítico do principal corredor de energia da região no centro da discussão sobre inflação e mostra que, para Teerã, a política monetária do Federal Reserve não tem como resolver um problema causado por restrições à oferta.

Por que 25 pontos-base não mudariam o risco de Ormuz

Em uma publicação na rede X, Ghalibaf afirmou que não é possível aplicar um ajuste de 25 pontos-base a um “gargalo”. Na avaliação do parlamentar, o prêmio de risco relacionado a Ormuz foi definido pelo próprio Irã, em uma referência ao poder de pressão do país sobre um corredor estratégico para o transporte de energia.

O prêmio de risco é o custo adicional exigido por investidores e empresas para lidar com a possibilidade de interrupções, atrasos ou encarecimento do transporte em uma região considerada sensível. Uma alta de juros pode reduzir a demanda e as expectativas de inflação, mas não elimina diretamente uma ameaça geopolítica nem libera um canal de transporte bloqueado.

Crítica iraniana ao alcance do Federal Reserve

Ghalibaf também disse que o Fed, o banco central americano, não consegue controlar as expectativas de inflação apenas elevando os juros. Segundo ele, as pressões sobre os preços estão ligadas a um choque de oferta, situação em que a produção ou a circulação de bens é prejudicada e os preços sobem mesmo sem aumento correspondente da demanda.

Essa distinção é relevante para a política monetária. Juros maiores encarecem o crédito e podem esfriar o consumo e os investimentos, mas têm efeito limitado sobre a oferta de petróleo ou sobre a segurança de rotas marítimas. Por isso, um banco central pode enfrentar inflação persistente mesmo depois de apertar as condições financeiras.

Fed elevou os juros para até 4% ao ano

A declaração foi divulgada antes da decisão do Fed, que elevou a taxa de juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. O ajuste foi o primeiro aumento desde 2023 e ocorreu enquanto permanecem dúvidas sobre a continuidade da desaceleração da inflação americana.

Para os mercados, juros mais altos nos Estados Unidos tendem a aumentar a atratividade de ativos denominados em dólar e podem encarecer o financiamento global. No entanto, a fala iraniana sustenta que esse efeito financeiro não seria suficiente para compensar o risco específico de uma interrupção no Estreito de Ormuz.

Desconfiança entre Irã e Estados Unidos

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, major-general Mohsen Rezai, afirmou no mesmo dia que o país não tem “absolutamente nenhuma confiança” nos Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma reunião com Bafel Talabani, presidente da União Patriótica do Curdistão, no Iraque.

Rezai disse ainda que Washington precisaria tomar medidas concretas para conquistar a confiança iraniana. As falas reforçam que a discussão sobre Ormuz não está restrita a juros ou inflação, mas também envolve uma relação política deteriorada entre os dois países.

O que observar nos preços e nos investimentos

O principal risco econômico de uma escalada em Ormuz seria a elevação do custo e da insegurança no transporte de energia, com possível impacto sobre combustíveis, inflação e atividade global. Para o Brasil, um choque desse tipo poderia afetar custos de produção e transporte e dificultar a redução dos juros, caso pressionasse os índices de preços.

Para quem investe, a declaração acrescenta um componente geopolítico ao efeito da decisão do Fed. O próximo ponto de atenção é saber se as ameaças ao corredor de energia resultarão em interrupções concretas ou permanecerão como fator de risco, enquanto os bancos centrais avaliam quanto da inflação vem da demanda e quanto vem de problemas de oferta.

Impacto para a sociedade

Uma escalada no risco do Estreito de Ormuz pode afetar o transporte internacional de energia e pressionar combustíveis e outros preços, caso o fluxo de petróleo seja prejudicado. Para o brasileiro, isso poderia aumentar a inflação e dificultar a queda dos juros, embora o material não indique mudança concreta nos preços no país.