Os títulos IPCA+ lideram a queda das taxas do Tesouro Direto nesta quarta-feira (19), após o rendimento do Treasury americano de 30 anos atingir 5,323% na terça-feira (18), o maior nível em 19 anos. Com a acomodação dos juros longos nos Estados Unidos nesta manhã, as taxas brasileiras recuaram: o IPCA+ 2032 passou de 8,14% para 8,09% ao ano, baixa de 5 pontos-base.
Taxas dos títulos ligados à inflação recuam
O IPCA+ 2040 caiu de 7,58% para 7,54% ao ano, enquanto o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 passou de 7,56% para 7,52%. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 recuou de 7,78% para 7,75%, e o IPCA+ 2050 foi de 7,30% para 7,28%. O IPCA+ com Juros Semestrais 2060 oferecia IPCA mais 7,37% ao ano.
Nos títulos prefixados, o movimento foi mais moderado. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu de 14,80% para 14,76% ao ano; o Prefixado 2032 passou de 14,75% para 14,73%; e o Prefixado 2029 recuou de 14,31% para 14,30%.
Como os juros dos Treasuries afetam o Tesouro Direto
Os juros longos dos Estados Unidos funcionam como uma referência para o custo de dinheiro em diversos mercados. Quando sobem, os investidores podem exigir remuneração maior também para comprar títulos de outros países, inclusive os brasileiros. Isso pressiona as taxas futuras e reduz os preços dos papéis já negociados.
O movimento desta quarta-feira foi de alívio porque o Treasury de 30 anos recuou para perto de 5,28%, depois da máxima de 5,323%. O rendimento do Treasury de dez anos, usado como referência para hipotecas e crédito ao consumidor nos Estados Unidos, também cedeu para aproximadamente 4,70%.
Pressão global veio de inflação e contas públicas
A venda de títulos longos atingiu outros mercados. O rendimento dos papéis japoneses de dez anos alcançou o maior nível em três décadas, enquanto os títulos alemães e franceses de 30 anos chegaram aos maiores patamares desde 2011 e desde o período posterior à crise de 2008, respectivamente.
Entre as explicações estão o receio com a deterioração fiscal de economias desenvolvidas e a persistência da inflação. Também há disputa por capital com as emissões de empresas relacionadas a investimentos em inteligência artificial, que podem somar cerca de US$ 1,5 trilhão neste ano. Quanto maior a oferta de papéis, maior pode ser a remuneração exigida pelos investidores.
Mercado aguarda a ata do Federal Reserve
A atenção agora se concentra na ata da reunião de julho do Federal Reserve, o banco central americano, prevista para esta quarta-feira. Na ocasião, os juros foram mantidos, mas três dirigentes votaram a favor de uma alta.
O documento será analisado em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana. Uma indicação de juros elevados por mais tempo tende a sustentar as taxas longas e pode voltar a pressionar ativos de renda fixa no mundo.
O que o investidor deve acompanhar nesta quarta
Às 9h23, o Tesouro Selic 2031 oferecia Selic mais 0,0731% ao ano, com vencimento em 1º de março de 2031. O Tesouro Reserva 2036 tinha remuneração atrelada à Selic. A queda das taxas dos IPCA+ e prefixados não representa, por si só, perda para quem já possui esses títulos: quando a taxa de mercado recua, o preço de negociação dos papéis tende a subir, embora o resultado dependa do momento da venda.
Além da ata do Fed, os investidores acompanham no Brasil o avanço, no Senado, da proposta de emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho 6×1. O tema entrou no radar pelos possíveis efeitos sobre custos das empresas e sobre o mercado de trabalho. A direção dos juros americanos, a percepção fiscal e os próximos dados de inflação continuarão determinando o comportamento do Tesouro Direto.
Impacto para a sociedade
A alta dos juros longos nos Estados Unidos pode encarecer o financiamento de governos e empresas, inclusive no Brasil, caso aumente o custo de captação no mercado internacional. Isso tende a pressionar juros de empréstimos e investimentos, embora o movimento desta manhã tenha sido de alívio nos títulos brasileiros. A ata do Federal Reserve também pode influenciar o câmbio, a inflação e as condições de crédito nos próximos dias.
