O IGP-M subiu 1,57% em setembro, depois de recuar 0,22% em agosto, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (29). A alta foi puxada principalmente pelos preços no atacado e ficou ligeiramente acima da mediana das projeções do mercado. O indicador é acompanhado, entre outros motivos, por sua utilização como referência em contratos de aluguel.
Atacado lidera a aceleração do índice
O principal impulso veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que mede os preços no atacado. O indicador passou de queda de 0,34% em agosto para alta de 2,08% em setembro. Como acompanha preços antes de os produtos chegarem ao consumidor, o IPA pode sinalizar mudanças nos custos de empresas, embora eventuais repasses ao varejo dependam das condições de cada setor.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que acompanha preços no varejo, também mudou de direção: saiu de uma deflação de 0,41% em agosto para inflação de 0,50% em setembro. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou: avançou 0,25%, ante alta de 0,85% no mês anterior.
Resultado superou a mediana das estimativas
A variação de 1,57% ficou acima da mediana de 1,54% esperada por analistas consultados em pesquisa de mercado. As estimativas para setembro iam de 0,80% a 1,95%, todas indicando alta. A diferença em relação à mediana foi pequena, mas o resultado confirma a reversão em relação à queda observada em agosto.
Em setembro de 2025, o IGP-M havia subido 0,42% no mês. Na comparação de 12 meses, o índice passou de 2,82% naquele período para 3,34% agora. No acumulado de 2026 até setembro, a inflação medida pelo indicador chegou a 3,45%.
IGP-M não é a mesma medida que a inflação oficial
O IGP-M reúne variações de preços em diferentes etapas da economia, incluindo atacado, consumo e construção. Por isso, pode se comportar de forma distinta do IPCA, índice usado como referência oficial da inflação no país. A alta mensal do IGP-M, isoladamente, não significa que todos os preços pagos pelas famílias subiram na mesma proporção.
A mudança expressiva no IPA ajuda a explicar o resultado de setembro: enquanto o atacado passou de queda para alta, o varejo também voltou a registrar avanço. O movimento dos três componentes, porém, foi desigual, como mostra a desaceleração do INCC. Isso reforça a importância de observar a composição do indicador, além do número geral.
O que observar nos próximos meses
Para quem aluga um imóvel, o resultado pode entrar no cálculo de reajustes quando o contrato adota o IGP-M, conforme as condições previstas no próprio acordo. A alta acumulada em 12 meses é uma referência relevante nesses casos, mas não significa que todo aluguel será reajustado automaticamente em 3,34%: a aplicação depende do contrato e da data de revisão.
Para consumidores e empresas, a aceleração no atacado pode indicar pressão sobre custos, mas o efeito final depende de fatores como a capacidade de repasse e a evolução dos preços nos próximos meses. As próximas divulgações do IGP-M ajudarão a mostrar se a alta de setembro foi pontual ou se a pressão se mantém. Para interpretar o impacto no orçamento, vale distinguir o índice geral dos preços específicos de cada contrato e de cada cesta de consumo.
Impacto para a sociedade
O resultado pode influenciar reajustes de aluguel quando o contrato prevê o IGP-M como referência, mas não determina sozinho o aumento: é preciso observar as regras de cada contrato. A aceleração dos preços no atacado também pode pressionar custos de empresas e, se for repassada, chegar ao consumidor — um efeito que não é automático.
