O dólar recuou para 154,38 ienes nesta segunda-feira (7), enquanto o avanço da moeda japonesa superou o pico alcançado após a intervenção coordenada entre Japão e Estados Unidos. O movimento ocorreu em uma sessão de baixa liquidez, devido ao feriado do Dia do Trabalho nos EUA, mas ganhou importância por refletir a revisão das expectativas sobre os juros japoneses e a atuação das autoridades no mercado de câmbio.
Iene ultrapassa referência criada pela intervenção
A valorização do iene em relação ao dólar levou a moeda japonesa além do nível observado depois da intervenção conjunta de Tóquio e Washington. Quando o iene se fortalece, são necessários menos ienes para comprar um dólar, o que reduz a cotação do par dólar-iene.
O movimento indica que os investidores vêm incorporando um cenário mais favorável à moeda japonesa. Entre os fatores citados estão a possibilidade de um ciclo de elevação de juros mais rápido pelo Banco do Japão (BoJ) e eventuais mudanças relevantes nas carteiras de gestores de fundos locais.
Feriado nos EUA reduz volume e amplia oscilações
A negociação desta segunda-feira teve menor participação por causa do feriado americano. Em sessões assim, o volume de negócios tende a ser mais baixo, o que pode deixar as cotações mais sensíveis às ordens de compra e venda e ampliar movimentos mesmo sem uma nova decisão oficial de política econômica.
Por volta das 16h50, no horário de Brasília, o índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,25%, para 98,926 pontos. O euro avançava a US$ 1,1623, enquanto a libra esterlina subia para US$ 1,3541, mostrando que a pressão não estava restrita ao iene.
Investidores aguardam inflação e próximos juros
O próximo teste para o dólar será a divulgação, na sexta-feira, do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI). O indicador será acompanhado como o principal termômetro da economia americana antes da próxima decisão do Federal Reserve (Fed), especialmente após os dados fortes de emprego, conhecidos como payroll, publicados na semana passada.
Um CPI mais pressionado pode reforçar a expectativa de juros americanos elevados por mais tempo, o que tende a apoiar o dólar. Já sinais de desaceleração da inflação podem aumentar a aposta em uma política monetária menos restritiva, reduzindo a atratividade da moeda americana diante de outras divisas.
Euro também ganha força antes de decisão do BCE
O euro avançou junto com o iene, enquanto os operadores se preparam para uma possível elevação dos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) no fim desta semana. Juros mais altos tornam os ativos denominados em uma moeda potencialmente mais atraentes, embora o efeito dependa das expectativas já incorporadas aos preços.
Assim, a queda do dólar nesta sessão combina fatores específicos do Japão com a expectativa de decisões relevantes nos Estados Unidos e na Europa. O feriado americano, porém, recomenda cautela na interpretação da intensidade do movimento, já que a liquidez reduzida pode distorcer as oscilações do dia.
O que pode acontecer com o dólar e o iene
Para o ING, parte significativa das notícias positivas para o iene já está refletida nas cotações. A instituição avalia que, salvo um grande acordo entre Japão e Estados Unidos, o dólar tende a operar mais provavelmente em uma faixa de 155 a 160 ienes do que a cair imediatamente abaixo de 150 ienes.
Para quem acompanha os mercados, os próximos pontos de atenção são o CPI americano de sexta-feira, a decisão do BCE e novas indicações sobre o ritmo de aperto monetário do BoJ. Esses eventos podem definir se o avanço do iene será consolidado ou se a moeda americana recuperará parte do terreno perdido após a sessão de baixa liquidez.
