O Ibovespa abriu em queda nesta quarta-feira (23), mas virou para alta ainda na primeira hora de negócios, com avanço das ações da Petrobras e investidores atentos a uma pesquisa que mostrou Luiz Inácio Lula da Silva numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O levantamento manteve a disputa em empate técnico, enquanto o movimento da Bolsa evidenciou que fatores como petróleo e fluxo de compras também influenciaram as cotações.
Índice recuperou as perdas da abertura
Na abertura, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a cair 0,73%, aos 186.051 pontos. A mínima ocorreu em meio à repercussão da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que apontou a recuperação da vantagem numérica de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro, do PL, em um possível segundo turno. Apesar da liderança numérica, o resultado indicou empate técnico.
Depois, o Ibovespa reduziu as perdas e passou a subir. Às 10h33, atingiu alta de 0,72%, aos 188.772 pontos, sua máxima até então. O índice chegou a zerar os ganhos, mas voltou a avançar: por volta das 11h, subia cerca de 0,60%. Os dados disponíveis até o fim da manhã mostram uma sessão de oscilações rápidas, não uma mudança definitiva de tendência.
Petrobras teve apoio do petróleo e de revisão do UBS BB
As ações da estatal ganharam força junto com a recuperação do petróleo. O Brent, referência internacional, avançava cerca de 1%, para US$ 100 o barril, depois de ter registrado na véspera a quinta queda seguida e ficado abaixo desse patamar. Na ocasião, o mercado havia reagido à expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã.
Às 10h52, a ação ordinária da Petrobras (PETR3) subia 3,61%, enquanto a preferencial (PETR4) avançava 3,50%. Os papéis também foram impulsionados pela elevação do preço-alvo e pela reafirmação da recomendação de compra pelo UBS BB. A cotação do petróleo importa para a empresa porque influencia a receita obtida com a venda da commodity, embora outros fatores também afetem o desempenho das ações.
Pesquisa reacendeu atenção ao cenário fiscal
Parte do mercado vê com cautela a possibilidade de reeleição de Lula, por considerar que ela pode dificultar o controle das contas públicas. A percepção sobre o resultado eleitoral pode alterar expectativas em relação à política fiscal e econômica do próximo governo, influenciando decisões de investimento antes mesmo da eleição.
Esse tipo de preocupação costuma aparecer primeiro no dólar e nos juros futuros, que refletem expectativas para a economia e para a dívida pública. Na manhã desta quarta, o dólar comercial era negociado a R$ 5,13 e os juros futuros avançavam. Isso não significa que a pesquisa determine, sozinha, a direção dos ativos: os preços também respondem a fatores externos e às negociações do próprio dia.
Fluxo de compras também ajudou a Bolsa
Além do petróleo, analistas apontaram uma recuperação técnica após a queda inicial. Em termos simples, investidores que haviam reduzido posições ou apostado na baixa podem recomprar ativos quando os preços recuam, contribuindo para uma recuperação. O movimento não elimina a cautela em relação à pesquisa, mas ajuda a explicar por que o índice subiu apesar da reação negativa inicial.
Uma análise do BTG Pactual também apontou que investidores locais vêm se preparando para uma eleição competitiva e dando mais espaço à oposição, sem que isso represente convicção de vitória oposicionista. O posicionamento, segundo a avaliação, permanece relativamente contido diante das incertezas sobre o resultado e sobre a disposição dos investidores de ampliar sua exposição à medida que o primeiro turno se aproximar.
O que acompanhar até o fim do pregão
Para quem investe, a sessão reforça que pesquisas eleitorais são apenas uma das variáveis que movem a Bolsa. Petróleo, juros, câmbio e compras ou vendas de curto prazo também podem alterar o desempenho dos índices e das empresas. A reação desta manhã não permite concluir, por si só, qual será o efeito duradouro do levantamento sobre os ativos.
Até o fechamento, os investidores devem acompanhar novos desdobramentos políticos e a oscilação do petróleo, além do comportamento do dólar e dos juros. Esses fatores ajudam a mostrar se a recuperação do Ibovespa se sustenta ou se a cautela com o cenário eleitoral volta a pesar nas negociações.
