O Ibovespa confirmou nesta terça-feira (18) a 11ª queda consecutiva, recuando 0,27% e encerrando aos 166.334,86 pontos, enquanto o dólar à vista subiu 0,40%, para R$ 5,2216. O resultado reforça a cautela dos investidores diante da piora do ambiente externo, da pressão sobre os juros e das incertezas domésticas, às vésperas da divulgação da ata do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
Petróleo caro elevou a pressão sobre os juros
A tensão entre Estados Unidos e Irã manteve o petróleo acima de US$ 90 por barril. O Brent para outubro fechou a US$ 91,02, com alta de 0,17%, em meio ao impasse sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
O efeito sobre a Bolsa é ambíguo. A cotação mais alta beneficia, em um primeiro momento, empresas produtoras, como a Petrobras. Ao mesmo tempo, combustível mais caro aumenta o risco de inflação e pode levar investidores a exigir juros maiores nos títulos de prazo longo. Com a renda fixa oferecendo retorno mais elevado e a economia sujeita a maior aperto monetário, diminui o interesse por ações e outros ativos de risco.
Ata do Fed concentra as atenções nesta quarta
O mercado aguarda para quarta-feira (19), às 15h, a ata da última reunião do Fed, que manteve os juros americanos entre 3,50% e 3,75%. O documento poderá indicar como os dirigentes avaliam a inflação e quais condições seriam necessárias para eventuais mudanças na política monetária.
Uma sinalização de juros altos por mais tempo tende a fortalecer o dólar e a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano. Esse movimento costuma retirar recursos de mercados emergentes, como o brasileiro, porque investidores passam a encontrar uma combinação mais atraente de segurança e retorno nos Estados Unidos.
Saída estrangeira e Casas Bahia ampliam a cautela
O saldo líquido de investidores estrangeiros na B3 acumulava saída de R$ 15,63 bilhões em agosto até o dia 13, maior retirada mensal da série acompanhada desde janeiro de 2022. A redução da presença estrangeira ajuda a explicar a sequência negativa do índice e a valorização do dólar.
No ambiente doméstico, o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia manteve o setor de varejo e o mercado de crédito sob observação. A empresa informou que pretende reestruturar cerca de R$ 1,7 bilhão, dentro de um endividamento total de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. As ações BHIA3 caíram 6,82%, a R$ 0,41, renovando o debate sobre inadimplência, capacidade de pagamento das famílias e qualidade das carteiras dos bancos.
Petrobras limitou a perda do índice
As ações preferenciais da Petrobras subiram 0,31%, a R$ 42,60, enquanto as ordinárias avançaram 0,15%, a R$ 47,53. A Vale teve alta de 0,06%, a R$ 71,45, acompanhando o avanço do minério de ferro em Dalian. Como bancos, Petrobras e Vale representam cerca de metade da carteira do Ibovespa, o desempenho dessas empresas ajudou a conter uma queda maior.
Na ponta negativa, C&A Brasil recuou 5,87%, a R$ 7,38. Hapvida liderou as altas, com avanço de 3,04%, a R$ 6,78, em movimento técnico de recuperação após as perdas recentes, sem notícia específica sobre a companhia.
O que observar no próximo pregão
Além da ata do Fed, os investidores devem acompanhar a evolução das tensões no Oriente Médio, o comportamento do petróleo e os efeitos da recuperação judicial da Casas Bahia. No Brasil, também permanece no radar a tramitação da proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, após notícias de avanço do tema no Senado.
Para quem investe, a combinação de dólar forte, juros longos pressionados e saída estrangeira mantém a volatilidade elevada. Para empresas e consumidores, petróleo e câmbio são importantes porque influenciam combustíveis, produtos importados e custos de produção; qualquer repasse adicional pode dificultar a queda da inflação e prolongar o período de crédito caro.
Impacto para a sociedade
A alta do dólar e do petróleo pode encarecer produtos importados e aumentar a pressão sobre a inflação, embora o movimento desta terça-feira, isoladamente, ainda não represente uma mudança imediata para o consumidor. O mercado também monitora os juros nos Estados Unidos porque uma política monetária mais restritiva pode reduzir o fluxo de recursos para países emergentes, afetando o câmbio, o crédito e os investimentos no Brasil.
