O Ibovespa subiu em sete dos oito meses de outubro com eleição presidencial analisados desde 1994, o equivalente a 87,5% dos casos, com valorização média de 4,80%. O dado contrasta com a percepção de que a reta final da disputa necessariamente pressiona a Bolsa, mas não indica como o mercado vai se comportar em 2026: a amostra é curta e o histórico não determina o resultado do próximo outubro.

O que explica a frequência de altas em outubro

O levantamento considera os oito outubros de eleições presidenciais já observados desde a implantação do Plano Real. A única queda foi em 1994, quando o índice recuou 12,51%. Nos sete outros ciclos analisados, o mês terminou no positivo. A média de 4,80% resume esses resultados, mas não significa que o Ibovespa tenha subido esse valor em cada ano.

A Bolsa costuma reagir às expectativas sobre o futuro, e eleições podem aumentar as dúvidas sobre os rumos da política econômica. Ainda assim, a incerteza não se traduz automaticamente em queda: preços também podem refletir expectativas já incorporadas e mudanças na percepção dos investidores. Por isso, a frequência histórica de altas é uma referência, não uma explicação única para o desempenho de cada outubro.

Setembro mostra por que a média exige cuidado

O comportamento de setembro ajuda a entender por que frequência e retorno médio não contam sempre a mesma história. Em seis dos oito setembros eleitorais analisados, o Ibovespa avançou. Mesmo assim, a média do mês foi negativa em 1,60%, porque as quedas registradas nos outros dois anos foram mais intensas que as altas.

O caso mais extremo ocorreu em setembro de 2002, quando o índice perdeu 16,95%. Assim, embora a maioria dos meses tenha terminado em alta, os movimentos negativos tiveram peso suficiente para puxar a média para baixo. Em outubro, ao contrário, a frequência positiva e o retorno médio apontam na mesma direção: sete altas e valorização média de 4,80%.

Ano eleitoral tende a ser o trecho mais difícil do ciclo

Na comparação entre as diferentes etapas do ciclo presidencial, o ano da eleição teve o menor avanço médio no estudo. O período posterior à eleição concentrou o movimento acumulado mais forte. Essa leitura ajuda a colocar o dado de outubro em perspectiva: um mês historicamente positivo não apaga o fato de que o ano eleitoral, no conjunto, costuma ser mais complexo para o mercado.

Fábio Figueiredo, conhecido como Vlad, analista com 20 anos de mercado, ressalta que os dados passados não determinam o comportamento futuro. Ele também afirma que não tomaria uma decisão apenas com base na estatística e que espera um sinal de preço. A ressalva é relevante porque oito observações oferecem um retrato limitado, sujeito a resultados muito diferentes entre eleições.

O que o histórico significa para quem acompanha a Bolsa

Para o investidor, os 87,5% indicam que outubro não foi, na maioria dos ciclos avaliados, um mês de queda do Ibovespa. Mas o número não garante alta em 2026 nem informa, sozinho, a intensidade de uma eventual oscilação. A queda de 12,51% em outubro de 1994 é um lembrete de que uma exceção pode ser expressiva mesmo em uma série com sete resultados positivos.

O dado novo, portanto, é um padrão histórico, não uma previsão. À medida que a eleição de 2026 se aproximar, o comportamento do índice dependerá das informações e expectativas que surgirem naquele ciclo. O histórico pode ajudar a contextualizar a reação do mercado, mas não substitui a avaliação dos acontecimentos e dos preços observados no período.