O Ibovespa chegou a avançar 0,7% na abertura desta sexta-feira (28), apoiado pelo petróleo e por ações de empresas de grande peso no índice, enquanto o dólar subia ante o real. O movimento ocorre antes do discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), em Jackson Hole, marcado para as 11h (horário de Brasília), que pode redefinir as apostas para os juros americanos e aumentar a volatilidade nos mercados.
Bolsa perde parte do avanço inicial antes do discurso
Às 10h56, o Ibovespa estava na faixa de 175,5 mil pontos, depois de ter alcançado alta mais forte no começo do pregão. Os juros futuros avançavam, sinal de que os investidores exigiam taxas maiores para negociar contratos que refletem o custo do dinheiro no Brasil no futuro.
O dólar comercial chegou a subir 0,61%, para R$ 5,194, acompanhando a pressão sobre moedas emergentes. Por volta das 9h25, antes da abertura da bolsa, a cotação recuava 0,05%, a R$ 5,1620. A oscilação mostra a cautela dos investidores enquanto aguardam uma indicação mais clara sobre a política monetária americana.
Petróleo e ações de maior peso dão suporte ao índice
O petróleo permanece no radar devido às incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte da commodity. O risco de dificuldades na circulação de navios tende a sustentar os preços do petróleo, o que favorece empresas produtoras, mas pode elevar custos de energia e transporte para consumidores e companhias.
As chamadas blue chips, ações de empresas grandes e com elevada participação no índice, também ajudaram a bolsa na abertura. As ações da Vale subiam 0,15%, a R$ 79,23, às 10h35. Como esses papéis têm peso relevante no Ibovespa, pequenas variações podem influenciar significativamente o resultado do índice.
O que Warsh pode sinalizar sobre os juros dos EUA
A expectativa central está concentrada na possibilidade de o Fed elevar os juros na reunião de setembro. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade majoritária era de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%, em 64,3%. A chance de uma alta de 0,25 ponto percentual era de 35,7%.
Uma postura mais dura do Fed tende a fortalecer o dólar e elevar os rendimentos dos títulos americanos. Isso pode reduzir a atratividade relativa de ações e ativos de países emergentes, pressionando o Ibovespa e o real. Por outro lado, uma fala considerada menos rígida pode diminuir os juros de longo prazo e abrir espaço para uma reação positiva dos mercados.
Indicadores brasileiros entram no radar
O IGP-M, conhecido como inflação do aluguel, caiu 0,22% em agosto, após recuo de 1,16% em julho. Em 12 meses, o índice acumulava alta de 2,16%. A leitura veio próxima da expectativa de queda de 0,25% e refletiu alta nos preços agropecuários e nos custos da construção.
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) também recuou, 0,83% em julho, enquanto a confiança do comércio caiu em agosto e a confiança dos serviços subiu. O mercado ainda acompanha os novos dados de emprego formal e seus possíveis efeitos sobre o consumo e as expectativas para a atividade econômica.
Próximos passos para investidores e economia
Além do discurso de Warsh, o mercado monitora a tramitação da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a proposta orçamentária de 2027. O governo afirma esperar superávit primário no próximo ano, inclusive numa medida que considera despesas excluídas formalmente da meta fiscal. A credibilidade dessa promessa pode influenciar as taxas de juros brasileiras e o câmbio.
Para quem investe, consome ou trabalha, o ponto principal é que juros americanos, petróleo, inflação e contas públicas se conectam. Taxas externas mais altas podem encarecer o dólar e o crédito; petróleo mais caro pode pressionar combustíveis e preços; e um quadro fiscal mais confiável tende a reduzir incertezas. A fala de Warsh e a reação dos mercados ao longo do dia serão os próximos sinais relevantes.
Impacto para a sociedade
A fala de Kevin Warsh pode alterar as expectativas para os juros nos Estados Unidos, influenciando o dólar, o custo de financiamentos e os investimentos no Brasil. O petróleo também está no radar por causa das incertezas sobre o Estreito de Ormuz, com potencial de afetar combustíveis e a inflação caso haja interrupção relevante no transporte da commodity. Dados de emprego, inflação e orçamento ajudam a definir o ambiente para consumo, crédito e decisões de política econômica.
