O Ibovespa subia 0,30%, aos 167.282 pontos, por volta das 11h35 desta terça-feira (18), tentando interromper uma sequência de dez sessões consecutivas de queda. O movimento, sustentado principalmente por Petrobras e outras ações ligadas a petróleo e energia, ainda era considerado frágil, com investidores evitando mudanças expressivas nas carteiras diante das incertezas eleitorais no Brasil e das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Alta tenta reverter a maior sequência de perdas desde 2023
A série de dez baixas consecutivas levou o índice a acumular pouco mais de 6% de desvalorização em agosto até a sessão anterior. Trata-se da maior sequência negativa desde agosto de 2023, quando o Ibovespa caiu por 13 pregões seguidos, entre os dias 1º e 17 daquele mês.
Apesar da alta nesta terça-feira, boa parte das ações operava perto da estabilidade. Isso indica que o avanço do índice estava concentrado em alguns papéis, e não refletia uma retomada generalizada do apetite por risco. Nas últimas semanas, a saída de capital estrangeiro também reduziu o suporte para uma recuperação mais consistente da Bolsa.
Petrobras lidera com petróleo em alta no exterior
As ações da Petrobras estavam entre os principais destaques positivos. As ações preferenciais PETR4 subiam 1,44%, favorecidas pela alta do petróleo no mercado internacional. O contrato do Brent avançava 0,41%, a US$ 91,24 por barril.
O petróleo ganhou força após o Irã afirmar que adotará uma postura “totalmente ofensiva” e os Estados Unidos descartarem a extensão do acordo de cessar-fogo. A piora nas perspectivas de um entendimento elevou o temor de interrupções prolongadas no fornecimento de energia. Para petroleiras, preços maiores podem melhorar a receita e as margens, embora também aumentem os riscos para consumidores e para a inflação caso o movimento persista.
Incerteza eleitoral mantém investidores na defensiva
O cenário eleitoral brasileiro tem influenciado as expectativas sobre o tamanho do ajuste fiscal necessário em 2027. Como ainda há pouca clareza sobre a direção da política econômica após a eleição, investidores preferem aguardar novos sinais antes de ampliar posições em ações.
Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, afirmou que faltam elementos capazes de apoiar uma recuperação do Ibovespa no curto prazo, especialmente após a saída de recursos estrangeiros. Para ele, a volatilidade eleitoral já pesa sobre os ativos, mesmo sem aparecer de forma explícita nos preços de todos os papéis.
Análise técnica aponta resistência e riscos de novas quedas
O Itaú BBA avalia que o Ibovespa continua em tendência de baixa após perder o suporte de 168.700 pontos, nível que funcionava como uma barreira contra novas perdas. Ao mesmo tempo, a formação de uma base na região de 164.800 pontos pode abrir espaço para uma recuperação em direção a 173.000 pontos.
Se superar os 173.000 pontos, o índice poderá deixar a tendência de baixa e entrar em uma fase de maior indefinição. No sentido oposto, a perda dos 164.800 pontos pode intensificar a pressão vendedora, com possíveis alvos técnicos em 161.700 e 156.300 pontos. A Ágora também identificou enfraquecimento dos vendedores perto de 164.700 pontos, mas ressaltou que a leitura permanece frágil abaixo das médias de curto prazo.
Fundamentos das empresas ficam em segundo plano
O Citi observou que os balanços do segundo trimestre mostraram uma desconexão entre o desempenho operacional das companhias e o comportamento de suas ações. As empresas do Ibovespa tiveram surpresas agregadas positivas de 1,8% nas receitas e de 5,3% nos lucros, mas os papéis caíram, em média, 1,3% após a divulgação dos resultados.
Na avaliação dos analistas, notícias favoráveis já estavam parcialmente incorporadas aos preços e foram ofuscadas por preocupações macroeconômicas, como as eleições, as expectativas para os juros, a saída de estrangeiros e a tensão geopolítica. No exterior, o S&P 500 recuava 0,44%, contribuindo para limitar a melhora do humor nos mercados.
Para quem acompanha a Bolsa, o próximo passo será observar se o Ibovespa consegue sustentar a faixa entre 164.700 e 164.800 pontos e avançar acima de 173.000 pontos. Enquanto persistirem as dúvidas fiscais e eleitorais e não houver clareza sobre o conflito no Oriente Médio, a alta desta terça-feira tende a ser tratada como uma tentativa de estabilização, e não como confirmação de uma reversão duradoura.
