O Ibovespa avançava para perto de 168,3 mil pontos na manhã desta quinta-feira (13), enquanto o dólar comercial subia para aproximadamente R$ 5,18, em uma sessão influenciada pelo PPI — índice de preços ao produtor dos Estados Unidos — e pela reação dos investidores aos balanços corporativos. A leitura de inflação americana abaixo do esperado ajudou as bolsas de Nova York e fez os juros futuros brasileiros recuarem, mas riscos fiscais e eleitorais mantiveram a cautela no mercado local.

PPI americano reduz pressão por alta imediata dos juros

O índice de preços ao produtor dos Estados Unidos ficou estável em julho, enquanto as projeções apontavam para uma alta. O dado reforçou a percepção de que a inflação pode estar perdendo força na economia americana, reduzindo a urgência para que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, eleve os juros.

Após a divulgação, o mercado passou a considerar mais provável a manutenção dos juros americanos em setembro: a chance estimada subiu para 65%, ante 50% na véspera. As apostas para uma eventual alta foram deslocadas de outubro para dezembro, à espera de novos dados sobre inflação e atividade econômica.

Esse movimento tende a aliviar o custo dos recursos no exterior e favorece ativos de maior risco, como ações. Ainda assim, a avaliação predominante é que o Fed precisará analisar os dois lados de seu mandato — inflação e emprego — antes de alterar a política monetária.

Dólar perto de R$ 5,18 mostra cautela com o Brasil

Mesmo com o ambiente externo mais favorável, o dólar avançava para a faixa de R$ 5,18 durante a manhã, acompanhando a valorização da moeda americana em determinados momentos. Mais tarde, a cotação chegou a oscilar levemente para baixo, mas permaneceu próxima desse nível.

O câmbio também reflete a redução da exposição de gestores globais ao real, diante do aumento das preocupações com a eleição brasileira e com a possibilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A menor demanda por ativos locais tende a pressionar a moeda brasileira e pode aumentar o prêmio exigido pelos investidores.

Balanços dividem o desempenho das ações

Entre os destaques negativos, Hapvida (HAPV3) chegou a cair mais de 17% após divulgar resultados do segundo trimestre de 2026. A companhia apresentou margens pressionadas e uma piora da judicialização, o que dificultou a avaliação sobre o nível normalizado de rentabilidade do negócio.

O Banco do Brasil (BBAS3), por outro lado, reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e de 13,9% ante o primeiro trimestre. O resultado superou o consenso de R$ 3,5 bilhões, mas a instituição continua sob atenção por causa da inadimplência no agronegócio e do aumento das provisões exigido pela resolução CMN nº 4.966/2021.

As ações da Petrobras operavam mistas: PETR3 recuava 0,50%, enquanto PETR4 subia 0,05%. A queda dos preços do petróleo no exterior também estava entre os fatores observados pelos investidores.

Dados domésticos e controle de gastos entram no radar

As vendas do varejo brasileiro cresceram 0,5% em junho ante maio, depois de alta de 0,3% no mês anterior. Na comparação anual, o avanço foi de 2,9%, acima das expectativas de 0,3% na margem e 2,35% em 12 meses. Apesar da surpresa positiva, a avaliação é que o setor pode encerrar o segundo trimestre com saldo negativo devido à forte queda registrada em abril.

No campo fiscal, o Senado aprovou um projeto que cria mecanismos de controle das despesas obrigatórias e pode gerar cerca de R$ 10 bilhões em economia no próximo ano. A proposta segue para sanção presidencial. O texto prevê limites para o crescimento de despesas criadas por legislação ordinária caso o relatório de receitas e despesas indique déficit primário; o documento mais recente projetou rombo de R$ 52 bilhões.

O que acompanhar até o fim do pregão

Para quem investe, a sessão combina um fator externo positivo — a inflação ao produtor americana mais branda — com sinais domésticos de cautela. A queda dos juros futuros pode favorecer ações ao reduzir a taxa usada para avaliar os lucros das empresas, enquanto o dólar mais alto atua na direção contrária para companhias dependentes de custos em moeda estrangeira.

O mercado deve continuar acompanhando novos indicadores dos Estados Unidos, a evolução das apostas para o Fed, os balanços do segundo trimestre e a tramitação das medidas fiscais brasileiras. A combinação desses fatores tende a definir se o avanço do Ibovespa ganhará sustentação ou permanecerá sujeito a oscilações ao longo do dia.

Impacto para a sociedade

A alta do dólar para perto de R$ 5,18 pode encarecer produtos importados e pressionar custos de empresas que dependem de componentes, combustíveis ou matérias-primas externas. Já a expectativa de juros americanos mais estáveis influencia o custo de financiamento global e pode afetar, indiretamente, crédito, investimentos e atividade econômica no Brasil. As novas regras de controle de gastos aprovadas pelo Senado também podem influenciar a trajetória futura das despesas públicas e dos juros domésticos.