O Ibovespa subiu 1% nesta segunda-feira (31), aos 177.418,78 pontos, e completou a nona sessão consecutiva de ganhos, impulsionado principalmente pela Petrobras e por bancos. Mesmo com a recuperação na segunda metade do mês, o índice acumulou queda de 0,33% em agosto. O dólar recuou 0,31%, a R$ 5,18, enquanto a alta do petróleo e as tensões no Oriente Médio mantiveram o exterior sob pressão.
Alta da Petrobras sustentou o avanço do índice
As ações da Petrobras lideraram os negócios, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. Os papéis preferenciais PETR4 avançaram 3,38%, a R$ 45,02, enquanto os ordinários PETR3 subiram 4,23%, a R$ 40,29. PETR4 também foi a ação mais negociada da sessão.
O barril do Brent, referência para parte do mercado global, avançou 2,71% e encerrou o dia a US$ 90,49. A alta ocorreu após novos ataques entre Estados Unidos e Irã, que aumentaram o temor de interrupções ou gargalos no fornecimento mundial. Para empresas produtoras, petróleo mais caro tende a elevar receitas e margens, embora possa pressionar a inflação e o consumo em outras áreas da economia.
Bancos e empresas domésticas acompanharam a recuperação
O setor financeiro também contribuiu para a alta. Banco do Brasil subiu 2,83%, a R$ 20,74, Itaú avançou 0,84% e Bradesco ganhou 0,64%. Santander foi exceção entre os grandes bancos, com queda de 1,50%.
Na ponta positiva do Ibovespa, MRV avançou 6,17% e Cyrela ganhou 5,52%, em um movimento associado ao alívio dos juros futuros de médio e longo prazo — taxas negociadas para períodos adiante que influenciam o custo de financiamentos e o valor das empresas. Embraer recuou 1,82%, pressionada pela valorização do real e por ajustes após ganhos recentes. Vale caiu 0,93%.
Agosto teve 11 quedas antes da sequência de ganhos
O resultado mensal foi marcado por uma forte mudança de direção. O Ibovespa ficou 11 sessões seguidas em baixa entre 4 e 18 de agosto, depois de abrir a segunda metade do mês com nove altas consecutivas entre 19 e 31. A sequência final, porém, não foi suficiente para recuperar as perdas iniciais.
Um dos principais freios foi o fluxo estrangeiro, que mede a entrada e a saída de recursos internacionais da Bolsa. Dados preliminares até 27 de agosto apontavam saldo negativo de R$ 18,4 bilhões no mês. As incertezas fiscais e eleitorais também aumentaram a cautela dos investidores, especialmente após pesquisas mostrarem uma disputa acirrada para a Presidência.
Exterior recuou com petróleo e risco geopolítico
Os mercados americanos fecharam em baixa depois de os Estados Unidos atacarem a ilha de Larak, no Irã, no domingo (30), e de Teerã retaliar com bombardeios na Jordânia. O Dow Jones caiu 0,02%, o S&P 500 recuou 0,25% e o Nasdaq perdeu 0,52%.
A alta do petróleo reacendeu o temor de inflação, porque energia mais cara eleva custos de transporte, produção e serviços. Os investidores também aguardam o relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, previsto para sexta-feira (4), com dados sobre vagas, desemprego e salários que podem influenciar as expectativas para os juros americanos.
Fiscal e próximos dados seguem no radar
No Brasil, a dívida bruta do governo subiu de 81,9% para 82,5% do PIB entre junho e julho, alcançando R$ 10,947 trilhões. O governo também se preparava para apresentar o projeto do Orçamento de 2027, que definirá as projeções de receitas, despesas e metas fiscais do próximo ano.
O Boletim Focus reduziu de 5,02% para 5,01% a previsão para o IPCA de 2026, ainda acima do centro da meta de inflação, de 3%. Para quem investe, consome ou trabalha, o próximo mês combina novos dados econômicos, o payroll e o debate fiscal: esses fatores podem influenciar dólar, juros, inflação e o desempenho da Bolsa.
Impacto para a sociedade
A alta do petróleo pode pressionar custos de combustíveis e, se persistir, dificultar a queda da inflação. Já o aumento da dívida pública e as dúvidas sobre o Orçamento podem manter os juros elevados, encarecendo crédito e financiamentos para famílias e empresas.
