O Ibovespa encerrou setembro com alta de 5,03%, seu melhor resultado mensal desde janeiro, aos 186.340,45 pontos. O índice começou o mês no vermelho, após recuar 0,33% em agosto, e virou para o positivo. No último pregão, nesta quarta-feira (30), avançou 1,37% e chegou a subir cerca de 4 mil pontos entre a abertura e a máxima do dia.
Fluxo estrangeiro e eleições ajudaram a Bolsa
A recuperação teve mais de um impulso. Investidores estrangeiros voltaram a comprar ações brasileiras: até 28 de setembro, o saldo de entradas na Bolsa somava R$ 9,6 bilhões no mês, revertendo a saída registrada em agosto. No acumulado de 2026, o fluxo estrangeiro estava positivo em R$ 27,7 bilhões.
A proximidade do primeiro turno das eleições também elevou a atenção do mercado. Pesquisas mostraram uma disputa competitiva entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Para os investidores, as expectativas sobre o resultado importam sobretudo pelo que podem sinalizar para a política fiscal, a inflação e os juros — fatores que influenciam o valor das empresas e o custo de financiamento do país.
Selic menor favoreceu ações sensíveis aos juros
Em setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. Juros básicos menores tendem a baratear o crédito com o tempo e reduzem a atratividade relativa de aplicações de renda fixa. Com isso, podem favorecer empresas que dependem de financiamento e estimular a busca por ações, embora o efeito também dependa das perspectivas de lucro e do custo de capital.
O alívio nos juros ajudou a reprecificar companhias mais sensíveis ao consumo e ao crédito. O Magazine Luiza, por exemplo, subiu mais de 50% no mês. A empresa também teve notícias próprias a seu favor: anunciou uma parceria com o Mercado Livre para vender produtos de estoque próprio na plataforma e recebeu autorização para voltar a comercializar medicamentos.
Inflação americana e petróleo trouxeram sinais opostos
No último dia do mês, dados de inflação dos Estados Unidos deram suporte ao pregão brasileiro. O índice de preços de gastos com consumo pessoal, o PCE, avançou 0,3% em agosto e 3,4% em 12 meses, abaixo das estimativas citadas pelo mercado, de 0,4% e 3,7%. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês. Números mais moderados reforçaram as apostas de que o Federal Reserve poderia manter os juros na reunião seguinte, o que tende a reduzir a pressão por recursos para ativos americanos.
O cenário externo, porém, não foi inteiramente favorável. O petróleo Brent permaneceu acima de US$ 100 por barril em meio ao impasse no Oriente Médio. A cotação elevada pode beneficiar empresas produtoras, como a Petrobras, mas também encarece combustíveis e pode alimentar a inflação, dificultando novos cortes de juros. No Brasil, a dívida bruta do setor público subiu de 82,6% do PIB em julho para 82,9% em agosto, um sinal de atenção para as contas públicas.
O que observar depois da alta de setembro
Além do ganho mensal, o Ibovespa avançou 8,32% no terceiro trimestre e acumulava alta de 15,65% em 2026 ao fim de setembro. Já o dólar comercial caiu 0,81% no último pregão, para R$ 5,174, e recuou 0,10% no mês. A valorização da Bolsa, portanto, veio acompanhada de um câmbio ligeiramente mais favorável no balanço mensal.
Para quem investe, a alta não elimina os riscos: expectativas eleitorais, decisões de juros nos Estados Unidos, inflação e contas públicas podem mudar a direção dos ativos. Para consumidores e empresas, a trajetória da Selic importa pelo efeito gradual sobre crédito e aplicações, enquanto petróleo e câmbio podem influenciar custos. Em outubro, esses fatores seguem no radar junto com as eleições e os próximos dados econômicos.
Impacto para a sociedade
A queda da Selic pode, gradualmente, reduzir o custo de empréstimos e financiamentos, mas também diminui o retorno de aplicações atreladas aos juros básicos. Inflação nos Estados Unidos e petróleo acima de US$ 100 podem influenciar o câmbio e os preços no Brasil, enquanto a situação das contas públicas afeta o custo do crédito. Esses efeitos não chegam imediatamente nem da mesma forma a todos os consumidores.
