O Ibovespa subia 1,52%, aos 186.615 pontos — cerca de 186,7 mil — por volta das 10h10 desta quarta-feira (30), após a inflação dos Estados Unidos vir abaixo das expectativas. O dado melhorou o humor nos mercados ao reforçar a possibilidade de que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, mantenha os juros na próxima reunião. No Brasil, a eleição presidencial, a dívida pública e o petróleo também estavam no radar.
Inflação americana muda as apostas para os juros
O índice PCE, medida de inflação acompanhada de perto pelo Fed, subiu 0,3% em agosto ante julho. No acumulado do ano, a alta foi de 3,4%, abaixo dos 3,7% registrados no mês anterior e das expectativas do mercado, embora ainda acima da meta de 2% do banco central americano.
Uma inflação mais moderada pode reduzir a necessidade de manter os juros elevados por mais tempo. Isso importa para os investidores porque juros altos tendem a encarecer o crédito e a tornar aplicações de renda fixa mais competitivas em relação às ações. Com o dado, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 62,9% de chance de manutenção dos juros entre 3,75% e 4,00% em outubro, ante 49,1% na véspera. A projeção é uma expectativa de mercado, não uma decisão do Fed.
Bolsa avança, mas eleição segue no radar
O avanço do índice brasileiro acompanhava a melhora do ambiente externo. A alta também ocorre em meio à reta final da campanha: faltam quatro dias para o primeiro turno, e investidores acompanham novas pesquisas e debates em busca de sinais sobre o resultado da eleição.
Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira apontou a manutenção de um empate triplo nas intenções de voto espontâneas, no primeiro turno e no segundo turno. O levantamento ouviu 2 mil pessoas por telefone entre 25 e 28 de setembro, com nível de confiança de 95%. O cenário político pode influenciar a percepção de risco sobre os rumos da economia, mas a pesquisa não antecipa o resultado das urnas.
Dólar recua e petróleo supera US$ 100
No mesmo horário, o dólar à vista caía 0,70%, a R$ 5,1803. O movimento acompanhava a fraqueza da moeda americana no exterior: o índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,23%. Uma moeda americana mais fraca pode aliviar custos de produtos importados, mas a cotação do dia não garante mudanças imediatas nos preços ao consumidor.
O petróleo, por outro lado, voltava a subir após um breve alívio na véspera. O contrato do Brent para novembro avançava 0,58%, a US$ 103,19 o barril, enquanto o WTI para o mesmo mês subia 1,32%, a US$ 90,56. A tensão em torno do Irã ganhou força depois que Donald Trump negou ter oferecido alívio às sanções americanas; o Catar, por sua vez, pressionava por negociações de paz.
Dívida pública brasileira cresceu em agosto
Dados divulgados pelo Banco Central mostraram que a dívida bruta do Brasil subiu para 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, ante 82,6% em julho. A dívida líquida passou de 69,1% para 69,3% do PIB. Os dois indicadores ficaram abaixo das estimativas de uma pesquisa da Reuters, que apontavam 83,0% e 69,5%, respectivamente.
O setor público consolidado também registrou déficit primário menor do que o esperado, sem que o dado divulgado trouxesse, no material disponível, o valor do resultado. A evolução da dívida é acompanhada porque indica o tamanho dos compromissos públicos em relação à economia e pode afetar a avaliação de risco do país e as condições de financiamento.
O que observar nas próximas sessões
Para quem investe, o avanço do Ibovespa reflete uma combinação de fatores: inflação americana mais branda, expectativas sobre os juros do Fed, incertezas eleitorais e oscilações do petróleo. Como esses elementos podem apontar em direções diferentes, a alta do índice em uma manhã não elimina os riscos nem define a trajetória dos próximos pregões.
Os próximos sinais serão os dados econômicos e as decisões do Fed, além das pesquisas e dos acontecimentos da campanha antes do primeiro turno. No Brasil, também será importante acompanhar a dívida pública e seus efeitos sobre a percepção das contas do país. Para trabalhadores e consumidores, a cotação do petróleo e do dólar pode influenciar custos, mas os preços de combustíveis e produtos dependem de outros fatores e não mudam automaticamente com cada oscilação do mercado.
Impacto para a sociedade
A inflação dos EUA e as expectativas para os juros do Fed podem influenciar o dólar e as condições de financiamento no mercado global. Já o petróleo acima de US$ 100 pode pressionar custos de combustíveis e transporte, embora a cotação não determine, por si só, uma mudança imediata nos preços pagos pelos brasileiros.
