O Ibovespa subiu 1,85%, aos 171.031,73 pontos, nesta sexta-feira (21), no terceiro pregão consecutivo de ganhos, enquanto o dólar comercial caiu 0,93%, para R$ 5,144. A recuperação ocorreu em meio à melhora do ambiente internacional, ao alívio nos juros dos Estados Unidos e à atenção dos investidores às eleições brasileiras e à possibilidade de novos cortes de juros.
Juros americanos menores ajudaram a destravar a Bolsa
O movimento externo foi o principal suporte para os ativos brasileiros. Os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treасuries, recuaram após o anúncio de uma operação ampliada de recompra de papéis pelo Tesouro americano. A medida, prevista para vigorar entre 9 de setembro e 4 de novembro, concentra-se em títulos com vencimentos de 10 a 30 anos.
Quando os juros desses papéis caem, investimentos considerados mais arriscados, como ações de mercados emergentes, tornam-se relativamente mais atrativos. Isso acontece porque o investidor passa a receber uma remuneração menor em ativos vistos como mais seguros e tende a buscar alternativas com maior potencial de retorno, ainda que sujeitas a mais oscilações.
Em Wall Street, o Dow Jones avançou 0,98%, o S&P 500 subiu 0,43% e o Nasdaq ganhou 0,44% nesta sexta. Ainda assim, os três índices encerraram a semana no negativo, pressionados pelo aumento de cerca de 6% do petróleo no período e pela alta dos rendimentos dos títulos americanos.
Eleição e expectativa de juros também influenciaram os negócios
No Brasil, os investidores aguardavam a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. Informações preliminares de levantamentos internos e monitoramentos eleitorais apontaram avanço de Flávio Bolsonaro (PL) e redução da vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), percepção que aumentou a sensibilidade dos mercados às próximas pesquisas.
Para parte dos investidores, uma disputa mais competitiva poderia resultar em mudança na condução fiscal e melhorar as perspectivas para a dívida pública. Essa leitura ajudou o real e a Bolsa, mas não representa uma conclusão sobre o resultado eleitoral ou sobre a política econômica que será adotada.
Dados recentes de inflação abaixo do esperado e sinais de atividade econômica mais fraca também reforçaram as apostas em cortes de juros no Brasil. Juros menores reduzem o custo do crédito e diminuem a atratividade de aplicações pós-fixadas, ao mesmo tempo em que podem favorecer empresas e ações mais dependentes de financiamento e consumo.
Ações cíclicas lideraram a recuperação do índice
A queda dos juros futuros, que refletem as taxas esperadas para os próximos meses, impulsionou principalmente as ações cíclicas, ligadas ao crescimento da economia. Vamos (VAMO3) teve a maior alta do Ibovespa, de 10,48%, a R$ 2,74, após um movimento de recuperação técnica e a manutenção da recomendação da companhia como preferida do setor pelo Bradesco BBI.
Entre os papéis de maior peso, Vale (VALE3) subiu 1,36%, a R$ 75,03, e Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 2,91%, a R$ 38,60. O Índice Financeiro ganhou 3,08%. Petrobras, porém, terminou perto da estabilidade: PETR3 caiu 0,14% e PETR4 recuou 0,05%. Embraer (EMBJ3) liderou as quedas, com baixa de 1,01%.
Alta ainda pode ser apenas uma recuperação técnica
Analistas classificaram a sequência de ganhos como uma recuperação após fortes quedas, com ajuste de posições e influência do vencimento de opções sobre ações nesta sexta. Até 19 de agosto, os saques de capital estrangeiro somavam cerca de R$ 22 bilhões no mês, movimento associado à migração global para empresas de tecnologia e ao aumento da preocupação com os riscos eleitoral e fiscal no Brasil.
O petróleo também representa um risco para a continuidade do alívio. A commodity subiu 0,33% nesta sexta, a US$ 94,09 por barril, diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e da interrupção do tráfego no estreito de Ormuz. Uma cotação elevada pode pressionar combustíveis, expectativas de inflação e a trajetória dos juros.
O que acompanhar na próxima semana
O mercado deve monitorar o petróleo, os juros longos americanos, o IPCA-15 e as pesquisas eleitorais. A combinação de inflação e atividade domésticas mais fracas pode sustentar a expectativa de cortes, mas a pressão externa dos Treasuries, do petróleo e a saída de estrangeiros ainda podem aumentar a volatilidade da Bolsa, do câmbio e dos juros brasileiros.
Impacto para a sociedade
A alta da Bolsa e a queda do dólar nesta sexta-feira não mudam imediatamente o orçamento da maioria das famílias, mas refletem expectativas que podem afetar a economia. Um real mais forte tende a reduzir a pressão sobre produtos importados, enquanto a possibilidade de juros menores pode baratear o crédito no futuro. Por outro lado, o petróleo acima de US$ 90 pode pressionar combustíveis e a inflação.
