O Ibovespa subia 1,11%, aos 209.208,88 pontos, por volta das 10h16 desta terça-feira (6), enquanto o dólar à vista caía 1,09%, a R$ 4,9471. A abertura positiva prolonga o rali da véspera, quando o índice avançou 7,70% e superou pela primeira vez os 200 mil pontos, em reação ao resultado do primeiro turno das eleições. O movimento mantém a política no centro das atenções dos investidores.

Bolsa mantém o embalo da sessão anterior

A alta desta terça veio depois de o principal índice da Bolsa fechar a segunda-feira aos 206.904 pontos. A valorização de 7,70% foi a maior desde março de 2020 e levou o Ibovespa a uma máxima histórica, acima do recorde anterior, registrado em 14 de abril, quando encerrou o pregão aos 198 mil pontos.

O avanço indica que parte dos investidores continuava ajustando suas posições à leitura do resultado eleitoral. Em períodos de disputa política, expectativas sobre o próximo governo e suas decisões podem influenciar a avaliação de empresas e ativos. Como essas expectativas mudam com novas informações, movimentos fortes em um dia não garantem continuidade nos seguintes.

Dólar recua também diante de moedas globais

A queda do dólar frente ao real acompanhava o desempenho da moeda americana no exterior. No mesmo horário, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,31%, aos 101,854 pontos. Assim, o movimento da moeda brasileira ocorria junto a uma fraqueza mais ampla do dólar, e não apenas por fatores locais.

O câmbio é acompanhado pelo mercado porque pode afetar o custo de produtos importados e de insumos comprados no exterior. Ainda assim, a oscilação de uma sessão não basta para indicar uma mudança duradoura nos preços ou na inflação: esse efeito depende da persistência do movimento e de como empresas repassam custos.

Disputa eleitoral segue no radar dos investidores

As articulações para o segundo turno ajudam a explicar a atenção à política. As campanhas do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniram com aliados para organizar suas estratégias. Ronaldo Caiado e Romeu Zema declararam apoio a Flávio, enquanto Lula sinaliza maior protagonismo do vice, Geraldo Alckmin, citado como possível nome para o Ministério da Fazenda.

Alckmin é bem avaliado por integrantes do mercado financeiro, mas ainda não há definição sobre quem ocuparia a pasta. Também permanecem em aberto os planos dos candidatos para as contas públicas. Sem detalhes sobre a condução fiscal, investidores podem reagir a declarações e alianças, mas ainda não têm um quadro completo das propostas.

PEC da escala 6×1 e dados comerciais completam a agenda

Outro tema político é a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1, uma bandeira da campanha de Lula. Após o primeiro turno, diminuíram as expectativas de aprovação da PEC no Senado. A avaliação relatada é que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, deve manter a sessão por motivos protocolares, sem que isso signifique avanço garantido da proposta.

No calendário econômico, a Secretaria de Comércio Exterior divulga às 15h os dados da balança comercial brasileira de setembro. O resultado anterior, referente a agosto, foi um superávit de US$ 7,39 bilhões. O número oferece uma medida da diferença entre exportações e importações, mas, sozinho, não antecipa o desempenho do mês seguinte.

O que acompanhar depois da abertura

Além da política e da balança comercial, o petróleo também registrava queda. Perto das 10h20, o Brent para dezembro recuava 2,57%, a US$ 97,74 por barril, e o WTI para novembro caía 2,11%, a US$ 87,47. Exportações resilientes do Oriente Médio e a liberação de reservas de emergência do G7 aliviaram preocupações com a oferta, embora ataques a alvos sauditas mantivessem cautela sobre os riscos no Golfo.

Para quem acompanha investimentos, o pregão reúne fatores distintos: o resultado eleitoral e as expectativas sobre a política econômica, dados comerciais e mudanças nos preços internacionais do petróleo. A alta inicial da Bolsa e a queda do dólar mostram a reação do mercado naquele momento, mas os próximos desdobramentos políticos e os números divulgados ao longo do dia podem alterar esse quadro.