O Ibovespa avançou mais de 5 mil pontos nas primeiras horas do pregão desta quarta-feira (2), alcançando a marca de 185 mil pontos, enquanto o dólar recuou para a faixa de R$ 5,14 após a divulgação de uma nova pesquisa Quaest sobre a corrida presidencial. O movimento mostra como as expectativas eleitorais já influenciam preços de ativos, embora a alta da bolsa também seja sustentada por ações de empresas ligadas a commodities e pelo fluxo de investidores estrangeiros.

Ibovespa chega a 185 mil pontos com reação à pesquisa

Por volta das 11h45, o principal índice da B3 atingiu a máxima intradiária de 185.224,90 pontos, alta de 3,06%. Em relação ao fechamento da terça-feira (1º), o ganho era de 5.502,42 pontos. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, subia 3,26%, a US$ 37,76, no mesmo horário.

A reação ocorreu depois de a pesquisa indicar uma redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Lula apareceu com 37% das intenções de voto, ante 29% de Flávio. No levantamento anterior, de 14 de agosto, os números eram 38% e 31%, respectivamente.

Segundo turno mais apertado amplia a volatilidade

Em uma simulação de segundo turno, Lula registrou 42% e Flávio Bolsonaro, 41%. A diferença caiu de três para um ponto percentual, e os dois permanecem tecnicamente empatados considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

Esse tipo de resultado costuma provocar o chamado “trade eleitoral”, expressão usada para descrever a compra e a venda de ativos com base na expectativa sobre a eleição e seus possíveis efeitos sobre a política econômica. Quando investidores enxergam chance maior de mudança de governo ou de orientação econômica, eles podem ajustar posições em ações, câmbio e juros antes mesmo de qualquer mudança concreta.

Por que ações de commodities ajudam a bolsa

Apesar do impacto imediato da pesquisa, Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirmou que o principal motor do índice continua sendo a força de papéis de grande peso ligados a commodities. Empresas desses setores têm participação relevante no Ibovespa e seguem atraindo capital estrangeiro.

Na prática, a entrada de recursos externos aumenta a procura por ações brasileiras e ajuda a pressionar o dólar para baixo, ao mesmo tempo em que impulsiona o índice. Por isso, a alta do Ibovespa não deve ser atribuída exclusivamente ao cenário eleitoral: fatores internacionais e o desempenho de companhias exportadoras também influenciam a sessão.

Dólar recua para a faixa de R$ 5,14

O dólar era negociado a R$ 5,1176 por volta das 11h20, queda de 0,74% no dia, depois de fechar a terça-feira a R$ 5,1557. A moeda acompanhava a fraqueza do dólar no exterior e também recebia pressão do fluxo estrangeiro para ativos brasileiros.

O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,14%, aos 99,535 pontos. A combinação de um dólar globalmente mais fraco com a repercussão da pesquisa ajudou o real a se valorizar durante a manhã.

O que observar após o salto do mercado

A movimentação desta quarta-feira é uma fotografia das expectativas dos investidores, não uma garantia sobre o resultado da eleição nem sobre a futura política econômica. Mudanças nas próximas pesquisas, debates, alianças e propostas podem alterar rapidamente a percepção de risco e provocar novas oscilações.

Para quem investe, o episódio reforça que bolsa e câmbio podem reagir de forma intensa a pesquisas mesmo sem mudança imediata nos fundamentos das empresas. Para quem acompanha a economia, os próximos dados eleitorais e o comportamento do fluxo estrangeiro serão importantes para avaliar se o avanço do Ibovespa e a queda do dólar terão continuidade ou ficarão restritos ao movimento do pregão.