O Ibovespa recuou mais de 1,5% nesta segunda-feira (14), em um pregão marcado pela forte aversão ao risco nos mercados globais. A alta do petróleo, após novos ataques a estruturas de produção e transporte na Arábia Saudita e no estreito de Ormuz, se somou à cautela com a disputa eleitoral brasileira e levou o índice à mínima de 183.941 pontos, ante abertura aos 187.188 pontos.
Petróleo supera US$ 108 e aumenta temor de inflação
O petróleo Brent avançava cerca de 4,9% e chegou a superar US$ 108 por barril. O movimento refletia o receio de que a escalada militar no Oriente Médio provoque uma interrupção mais duradoura no abastecimento global.
Uma oferta menor de petróleo eleva os custos de energia, transporte e produção. Como esses insumos estão presentes em diversas cadeias da economia, o choque pode manter a inflação elevada por mais tempo e dificultar a redução dos juros em diferentes países.
Petrobras limita perdas, mas minério e siderurgia recuam
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) operavam entre os destaques positivos do índice, beneficiadas pela valorização da commodity que a empresa produz. O avanço, porém, não compensou a queda de papéis ligados à mineração, à siderurgia e a outros setores mais dependentes do ciclo econômico.
CSN Mineração (CMIN3) recuava 4,17%, enquanto CSN (CSNA3) caía 3,45%. Vale (VALE3) perdia 3,03%, Bradespar (BRAP4), 2,97%, e Gerdau (GGBR4), 2,76%. Direcional (DIRR3) também aparecia entre as maiores baixas, com queda de 2,48%.
Incerteza eleitoral aumenta pressão sobre o dólar
No ambiente doméstico, novas pesquisas eleitorais reforçaram a percepção de que a disputa presidencial continua aberta. A leitura dos investidores é que diferentes resultados podem levar a mudanças na condução da política econômica e das contas públicas a partir do próximo governo.
A combinação entre risco externo, petróleo mais caro e incerteza fiscal elevou a procura por proteção em moeda estrangeira. O dólar avançava 0,57%, cotado a R$ 5,152 nesta segunda-feira (14).
Quais ações subiram no pregão
Apesar da queda do índice, algumas empresas operavam no campo positivo. Hypera (HYPE3) subia 3,03%, Copasa (CSMG3) avançava 2,07% e Totvs (TOTS3) ganhava 2,00%.
Também registravam alta Ambev (ABEV3), de 1,54%, Hapvida (HAPV3), de 1,49%, e Fleury (FLRY3), de 1,42%. O desempenho mostra que a pressão não atingia todos os setores da mesma forma, com investidores buscando empresas menos expostas ao ciclo de commodities metálicas e aos juros.
Juros americanos e próximos fatores de risco
Nos Estados Unidos, as bolsas também operavam sob pressão. A alta do petróleo alimentava o temor de inflação persistente, enquanto o avanço dos rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, reduzia a atratividade de ações consideradas mais arriscadas.
Para o mercado brasileiro, os próximos movimentos dependerão da evolução dos ataques no Oriente Médio, do preço do petróleo, do comportamento de Wall Street e das expectativas para a política monetária do Banco Central e do Federal Reserve. No curto prazo, esses fatores continuarão influenciando simultaneamente a bolsa, o dólar e os contratos de juros.
Impacto para a sociedade
A disparada do petróleo pode encarecer combustíveis, transporte e outros produtos caso se prolongue, pressionando a inflação no Brasil e no exterior. O cenário também pode dificultar a redução dos juros, afetando o custo do crédito para famílias e empresas.
