O Ibovespa perdeu força nesta terça-feira (6) após a disparada de 7,70% na véspera, em movimento atribuído em parte à realização de ganhos. Depois de avançar até 1,26% e tocar 209.522 pontos no início do pregão, o índice recuava 0,82%, aos 205.376 pontos, às 11h26. A oscilação mostra a volatilidade que pode acompanhar a reavaliação dos ativos brasileiros após o resultado do primeiro turno das eleições.

Índice virou após renovar máxima no início do pregão

Na abertura, o Ibovespa subiu 0,01%, para 206.924 pontos, e chegou à máxima de 209.522,60 pontos. O movimento, porém, não se sustentou: o índice passou a cair e chegou a 204.832,36 pontos, baixa de 1,01% no pior momento da manhã. Mesmo com a correção, seguia acima dos 200 mil pontos.

Na segunda-feira (5), a Bolsa fechou em alta de 7,70%, aos inéditos 206.911,89 pontos, depois de alcançar 209.605,70 pontos durante o pregão. Após uma valorização tão intensa em um único dia, parte dos investidores pode vender ativos para transformar ganhos em dinheiro. Esse ajuste, conhecido como realização de lucros, tende a aumentar as oscilações no curto prazo e não significa, por si só, uma mudança duradoura de tendência.

Petrobras, Vale e Banco do Brasil pressionaram a Bolsa

Entre as ações de maior peso, a Vale recuava 1,81% às 11h26. As ações preferenciais da Petrobras caíam 2,71%, enquanto as ordinárias cediam 1,75%. Como empresas grandes têm influência relevante no índice, a queda de seus papéis contribuiu para o desempenho negativo do Ibovespa.

O recuo mais intenso entre os bancos era o do Banco do Brasil, com baixa de 6,19%. Itaú subia 1%, e Bradesco avançava 1,7% nas ações ordinárias e 2,43% nas preferenciais. A Azzas liderava as altas do índice, com valorização de 5,14%. As diferenças entre os papéis mostram que o movimento não era uniforme entre os setores.

Expectativas eleitorais seguem no centro da reprecificação

A correção ocorre após o resultado do primeiro turno, que deixou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. Parte do mercado avalia que, se eleito, o senador poderia adotar uma política econômica menos expansionista e buscar a retomada do superávit primário. Essa possibilidade é uma expectativa dos investidores, não uma decisão já tomada.

O consultor financeiro Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, avaliou que a queda representa um ajuste após o movimento excepcional da véspera, mas disse que a tendência estrutural ainda seria de alta. A perspectiva de juros menores também ajuda a explicar a reação dos ativos: taxas mais baixas podem reduzir o custo de financiamento das empresas e tornar ações mais atraentes em relação à renda fixa. Na segunda, o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,0018, e os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base.

Petróleo em queda e bolsas dos EUA em alta

O cenário externo oferecia sinais mistos para a Bolsa brasileira. O petróleo recuava cerca de 2%, em meio a indícios de aumento das exportações da commodity pelo Oriente Médio. A queda pode aliviar pressões inflacionárias, mas também pesa sobre empresas do setor, como a Petrobras, cujas ações têm forte presença no Ibovespa.

Em Nova York, o S&P 500 e o Nasdaq renovavam máximas intradiárias, apoiados pela redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela baixa do petróleo. Os investidores também aguardavam a próxima temporada de balanços trimestrais. Assim, a alta das bolsas americanas não impediu a queda do índice brasileiro, pressionado por fatores locais e por ações de grande peso.

Pesquisas eleitorais podem trazer novos solavancos

Na análise gráfica do Itaú BBA, o Ibovespa poderia buscar 220 mil pontos no curto prazo e 245 mil no médio prazo, desde que mantenha a tendência de alta. O banco apontou 181.500 pontos como nível de suporte a observar. Essas referências são projeções técnicas, não garantias de desempenho, e podem mudar conforme os preços variam.

O próximo foco dos investidores são as pesquisas eleitorais previstas para quinta-feira (8), que podem alterar as expectativas sobre a disputa e a política econômica. Para quem acompanha a Bolsa, a sessão reforça que movimentos intensos podem ser seguidos por correções e que expectativas sobre juros e contas públicas influenciam os preços antes mesmo de medidas concretas. A direção do índice dependerá também dos dados e notícias que surgirem nos próximos pregões.