O Ibovespa recuava 1,43% nesta segunda-feira (14), aos 184,2 mil pontos, pressionado principalmente pela queda de Vale e dos grandes bancos. Na direção oposta, Petrobras avançava com a disparada do petróleo após ataques interromperem o fluxo de um oleoduto na Arábia Saudita. O movimento combina uma piora do ambiente internacional com cautela diante de inflação, juros e incertezas domésticas.

Vale e bancos concentram a pressão sobre o índice

Por volta das 11h, a Vale (VALE3) caía 2,43%. Entre os papéis financeiros, Itaú Unibanco recuava 2,34%, Bradesco perdia 2,31%, Banco do Brasil baixava 2,18% e B3 cedia 2,14%. Como essas empresas têm grande peso no Ibovespa, suas quedas ampliam o impacto sobre o indicador.

Outras baixas relevantes apareciam em MRV, com recuo de 4,36%, Cury, que caía 3,68%, CSN, com baixa de 3,60%, Gerdau, que perdia 3,49%, e Cyrela, em queda de 3,47%. Ações de utilities também eram afetadas, como Sabesp, que recuava 2,74%, e Axia Energia, com baixa de 0,97%.

Petróleo em alta sustenta ações da Petrobras

O Brent, referência internacional, subia 3,96%, a US$ 108,75 por barril, enquanto o WTI avançava 3,72%, a US$ 103,77. A alta ocorreu depois de novos ataques contra a infraestrutura petrolífera saudita, que levaram à interrupção de um importante oleoduto.

Com o petróleo mais caro, Petrobras operava no sentido contrário ao índice: PETR3 subia 0,81% e PETR4 avançava 0,82%. Prio ganhava 0,64% e Brava Energia subia 0,44%. O encarecimento da commodity favorece empresas produtoras, mas aumenta o risco de inflação ao elevar custos de combustíveis, transporte e produção.

Exterior reforça o movimento de aversão ao risco

A aversão ao risco, quando investidores reduzem posições em ativos mais sujeitos a oscilações e buscam maior proteção, também afetava os mercados globais. Nos Estados Unidos, o S&P 500 caía 0,7%, o Nasdaq recuava 1,2% e o Dow Jones perdia 0,3%.

As ações de tecnologia estavam entre as mais pressionadas após executivos de empresas de inteligência artificial defenderem uma desaceleração no ritmo de evolução desses sistemas por razões de segurança. Nvidia caía cerca de 3%, enquanto Broadcom, AMD, Intel e Marvell Technology também recuavam. No Brasil, o dólar comercial subia 1,04%, a R$ 5,178.

Focus reduz previsão para inflação e crescimento

No cenário doméstico, o Boletim Focus reduziu pela terceira semana seguida a projeção para o IPCA de 2026, de 5% para 4,90%. Para 2027, a estimativa subiu de 4,29% para 4,30%. A previsão para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano, enquanto a de 2027 continuou em 12%.

A projeção para o PIB de 2026 caiu de 1,93% para 1,89%. Isso representa uma expectativa de expansão mais lenta da atividade econômica. Para o dólar no fim deste ano, o mercado manteve a estimativa em R$ 5,20; para 2027, a previsão recuou de R$ 5,30 para R$ 5,28.

O que observar no petróleo, nos juros e na bolsa

A interrupção do oleoduto aumenta a preocupação com a oferta mundial de petróleo, já afetada pelo conflito entre Irã e Estados Unidos. Uma reunião entre o Irã e países árabes do Golfo sobre o Estreito de Ormuz também foi adiada, mantendo a incerteza sobre a evolução do choque.

Para quem investe, o próximo foco está nas decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve, na chamada superquarta. Para consumidores e empresas, petróleo mais caro pode dificultar a desaceleração da inflação. Já o desempenho da bolsa continuará dependendo da combinação entre preços da commodity, cenário externo, eleições e desdobramentos do caso Master.

Impacto para a sociedade

A disparada do petróleo pode pressionar custos de combustíveis, transporte e outros produtos, além de dificultar a queda da inflação. O Boletim Focus também mostrou que o mercado reduziu a previsão para o PIB de 2026, sinalizando uma expectativa de crescimento mais fraco para a economia.