O Ibovespa recuava aos 182,2 mil pontos na manhã desta segunda-feira (28), pressionado por quedas de Vale e dos grandes bancos. Na direção oposta, as ações preferenciais da Petrobras subiam acompanhando o petróleo, que avançava 4% e chegava perto de US$ 108 por barril após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O movimento combina tensão externa, expectativas de inflação mais altas e incerteza eleitoral no Brasil.

Vale e bancos pressionam a bolsa, enquanto Petrobras sobe

As ações de Vale e dos grandes bancos estavam entre as principais pressões sobre o índice. Como o Ibovespa reúne papéis de empresas de diferentes setores, a queda de companhias de grande peso pode puxar o indicador para baixo, mesmo quando algumas ações avançam. Às 10h31, apenas nove ativos da carteira operavam em alta.

Petrobras destoava do movimento: a alta do petróleo tende a favorecer as receitas da companhia, embora o preço das ações também dependa de outros fatores. Entre os maiores ganhos naquele momento estavam CVC, com alta de 2,42%, e PetroReconcavo, com avanço de 2,39%. Esses números retratam o início do pregão, não o resultado de fechamento.

Impasse entre EUA e Irã leva o petróleo a US$ 108

A rejeição de Trump à proposta iraniana aumentou a preocupação com a oferta de petróleo e com a reabertura do Estreito de Ormuz. O Brent, referência internacional, avançava cerca de 4%, para perto de US$ 108. A valorização da commodity também elevava a cautela nos mercados, pois energia mais cara pode alimentar a inflação em vários países.

As bolsas de Nova York abriram em baixa: o Dow Jones caía 0,64%, o S&P 500 recuava 0,39% e o Nasdaq perdia 0,38%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano também subiam. Quando esses papéis oferecem retornos maiores, podem ficar mais atraentes para investidores e aumentar a pressão sobre ativos considerados mais arriscados, como ações.

Inflação projetada sobe e juros futuros avançam

No Brasil, o Boletim Focus mostrou que a projeção do mercado para a inflação de 2026 passou de 4,92% para 4,99%, a segunda alta semanal consecutiva. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto foi reduzida, mas o dado divulgado não detalha o novo número. Expectativas de inflação mais elevada podem levar investidores a prever juros altos por mais tempo.

Esse cenário apareceu também nos negócios: o dólar comercial subia para R$ 5,20 e os juros futuros avançavam. Esses contratos refletem apostas sobre as taxas de juros adiante; quando seus rendimentos sobem, o financiamento pode ficar mais caro e as empresas tendem a enfrentar condições menos favoráveis para investir e crescer. Os títulos prefixados do Tesouro voltaram a se aproximar de 14%.

Pesquisas eleitorais mantêm a disputa no radar

A política brasileira também influenciava o humor dos investidores. Pesquisa Quaest divulgada pela manhã apontou empate numérico de 42% entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. No primeiro turno, Lula tinha 39% e Flávio, 34%. Os números se referem a intenções de voto e não antecipam o resultado da eleição.

A combinação de disputa acirrada e incerteza sobre os rumos da economia pode levar investidores a exigir mais cautela antes de tomar decisões. Ainda assim, o mercado não reagia a um único fator: petróleo, juros americanos, inflação esperada e desempenho das empresas também pesavam sobre a bolsa e o câmbio.

O que acompanhar nos próximos dias

Para quem investe, o pregão mostra como choques externos podem movimentar setores de formas diferentes: petróleo mais caro favorecia Petrobras, enquanto Vale e bancos recuavam. Para famílias e empresas, o ponto de atenção é se a alta da energia se mantém, pois combustíveis mais caros podem elevar custos de transporte e pressionar preços. O impacto depende da duração e da intensidade do movimento.

Os próximos dados econômicos e os desdobramentos no Oriente Médio devem ajudar a medir se a pressão sobre petróleo e juros continua. Também permanecerão no radar as pesquisas eleitorais e as expectativas para inflação e crescimento. Até lá, a queda do índice aos 182 mil pontos reflete um ambiente de cautela, sem indicar por si só como será o desempenho da bolsa no restante do dia.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode encarecer combustíveis e transporte no Brasil se persistir, pressionando também os preços de outros produtos. O mercado elevou a projeção de inflação de 2026 para 4,99%, ante 4,92% na semana anterior, o que pode influenciar as expectativas sobre juros e custo do crédito.