O Ibovespa fechou em queda de 0,93% nesta quarta-feira (9), aos 185.629 pontos, enquanto o dólar avançou 0,51%, para R$ 5,112. O movimento inédito em relação à sessão anterior foi uma correção após a máxima desde maio, pressionada pela piora do ambiente internacional, pelo petróleo acima de US$ 100 e pelo aumento das tensões no Oriente Médio.
Petróleo mais caro elevou temor de inflação global
O petróleo Brent, referência internacional, subiu 3,36%, a US$ 101,21, maior nível desde julho. A alta ocorreu após novas notícias de ataques no Oriente Médio, incluindo ações de rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, contra instalações e rotas ligadas à Arábia Saudita.
O receio dos investidores é de um choque de oferta: se os conflitos dificultarem a produção ou o transporte da commodity, o preço do petróleo pode permanecer elevado. Isso encarece combustíveis, transporte e diversos produtos, aumentando as expectativas de inflação em diferentes países.
No mercado financeiro, inflação mais alta reduz a possibilidade de cortes de juros e pode até manter aberta a discussão sobre uma eventual alta pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, em setembro. Os juros dos títulos americanos de dez anos subiram para 4,8406%, ante 4,804% na terça-feira, enquanto o S&P 500 caiu 0,48%.
Dólar e juros futuros acompanharam a aversão ao risco
A piora do cenário externo provocou aversão ao risco, expressão usada para descrever a redução de investimentos em ativos mais voláteis. Nesse ambiente, investidores buscam proteção em dólar e títulos considerados mais seguros, o que ajuda a explicar a valorização da moeda americana frente ao real.
O avanço do petróleo também pressionou os juros futuros, contratos que refletem as expectativas para as taxas de juros nos próximos meses. A lógica é que uma inflação mais persistente dificulta cortes pelo Banco Central e pode exigir uma política monetária mais restritiva por mais tempo.
O Ibovespa oscilou entre 184.810 e 187.362 pontos, com volume financeiro de R$ 26,7 bilhões. Dados da B3 mostraram, porém, que o fluxo estrangeiro para ações brasileiras continuava positivo, com entrada líquida de R$ 5,3 bilhões até 4 de setembro.
Petrobras subiu, mas bancos e empresas domésticas caíram
As ações ligadas a petróleo e exportação foram beneficiadas. Petrobras ON subiu 0,85% e Petrobras PN avançou 0,69%, acompanhando a valorização da commodity. A CSN liderou as altas, com ganho de 7,40%, enquanto a Vale subiu 0,10%.
Na direção oposta, o setor bancário foi penalizado: o índice financeiro da B3 caiu 2,08%. Itaú PN recuou 1,98%, Bradesco PN perdeu 2,36%, Banco do Brasil caiu 1,86% e BTG Pactual teve baixa de 2,43%.
Entre as maiores quedas, Tenda recuou 6,03%, em um dia de juros mais altos e após a troca no comando da construtora. Magazine Luiza, Vamos e outras empresas mais dependentes de crédito também ficaram sob pressão.
Medidas sobre combustíveis tiveram efeito limitado
Na última hora do pregão, o governo reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro e cortou R$ 0,19 por litro do etanol, zerando a tributação do produto. Também foi anunciada uma medida provisória com alívio adicional de R$ 1 por litro do diesel e subvenções de R$ 6,6 bilhões para produção e importação de combustíveis.
As medidas podem reduzir a inflação no curto prazo, mas analistas avaliaram que tiveram pouca influência sobre a bolsa. Além disso, a perda de arrecadação aumenta a preocupação com a trajetória fiscal, o que pode pressionar os juros futuros e limitar o benefício para os ativos brasileiros.
O que acompanhar nos próximos pregões
Além do petróleo e da evolução dos conflitos entre Estados Unidos, Irã e aliados na região, o mercado deve monitorar o IPCA de agosto, o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, a reunião do Banco Central Europeu e os pedidos de auxílio-desemprego americanos.
No Brasil, as pesquisas para a eleição presidencial de 2026 e os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal continuarão influenciando os preços. O investidor também deve observar como os cortes de tributos sobre combustíveis afetarão inflação, arrecadação e expectativas de juros, enquanto consumidores e empresas acompanham a possível transmissão do petróleo mais caro para gasolina, diesel, fretes e alimentos.
Impacto para a sociedade
A alta do petróleo pode pressionar a inflação no Brasil, principalmente por meio dos combustíveis e de custos de transporte e produção. As medidas do governo para reduzir tributos sobre gasolina, etanol e diesel podem aliviar preços no curto prazo, mas também aumentam a preocupação com as contas públicas.
