O Ibovespa abriu perto da estabilidade, mas passou a operar em queda nesta segunda-feira (24), enquanto investidores acompanhavam as sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, a disputa eleitoral brasileira e o desempenho de ações como Braskem (BRKM5) e Banco BTG Pactual (BPAC3). Às 10h30, o principal índice da bolsa recuava 0,99%, aos 169.333,69 pontos, em um pregão marcado por cautela nos mercados globais.

Sanções ao Irã aumentam a cautela nos mercados

As novas sanções americanas contra o Irã estão entre os principais fatores acompanhados pelos investidores nesta manhã. Medidas desse tipo podem aumentar a percepção de risco internacional e levar parte do mercado a buscar ativos considerados mais seguros, pressionando bolsas e moedas de países emergentes.

O movimento também ocorre em um ambiente externo sem direção única. O dólar à vista subia 0,29% ante o real, a R$ 5,1543, às 10h10. No exterior, o índice DXY, que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas fortes, avançava 0,14%, aos 98,940 pontos.

Pesquisa eleitoral reduz diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro

O cenário político doméstico também contribui para a volatilidade. Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 46% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro com 45% em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026.

Na semana anterior, os números eram de 47% para Lula e 44% para Flávio. Como a margem de erro é de dois pontos porcentuais, os dois permanecem tecnicamente empatados. A rejeição a Lula passou de 48% para 49%, enquanto a de Flávio recuou de 50% para 48%. Para os investidores, pesquisas mais disputadas podem aumentar a sensibilidade dos preços a novas informações sobre políticas econômicas, gastos públicos e impostos.

Focus prevê crescimento menor e inflação maior em 2027

O Boletim Focus, levantamento com economistas consultados pelo Banco Central, reduziu de 1,98% para 1,95% a projeção para o crescimento do PIB em 2026. A estimativa para 2027 permaneceu em 1,50%, enquanto a de 2028 subiu de 1,89% para 1,98%.

A projeção para o IPCA de 2026 ficou em 5,02%, mas a de 2027 avançou de 4,24% para 4,25%, na segunda alta consecutiva. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 continuou em 13,75% ao ano. Juros elevados tendem a encarecer empréstimos e financiamentos, desestimular o consumo e reduzir o valor presente de empresas, embora possam beneficiar aplicações de renda fixa atreladas às taxas.

Braskem e ações específicas entram no radar

Entre os papéis acompanhados pelos investidores está a Braskem, que protocolou pedido de recuperação extrajudicial. O processo adiciona um fator corporativo específico à pressão já existente no índice e pode aumentar a oscilação das ações da companhia.

BPAC3 também aparece entre os ativos observados no pregão, em meio à busca dos investidores por sinais sobre empresas e setores que possam se beneficiar ou sofrer com o ambiente de juros, câmbio e risco político. A movimentação de ações individuais, porém, não necessariamente representa uma mudança no cenário geral da bolsa.

Inflação, emprego e próximos sinais para o mercado

A agenda econômica ganha importância nos próximos dias. O IPCA-15 de agosto será divulgado na quarta-feira (26), com expectativa de deflação influenciada pela sazonalidade favorável dos alimentos in natura e sem aceleração dos preços de serviços.

Na quinta-feira (27), será conhecida a taxa de desemprego; na sexta (28), saem os dados do Caged sobre criação e destruição de empregos formais. Esses indicadores ajudarão a calibrar as expectativas para juros e atividade. Até lá, o mercado deve continuar reagindo às sanções contra o Irã, às novas pesquisas eleitorais e ao comportamento do dólar e das ações mais expostas a fatores específicos.

Impacto para a sociedade

As expectativas para inflação, crescimento e juros influenciam diretamente o custo do crédito, o rendimento de investimentos e o ritmo de contratação pelas empresas. A divulgação de dados de preços e emprego ao longo da semana pode alterar essas projeções e afetar decisões de consumo, financiamento e negócios.