Após 11 pregões consecutivos de alta, o Ibovespa interrompeu a sequência positiva nesta quinta-feira (3) e passou a operar em queda, em um movimento de realização de lucros e cautela antes de uma nova pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial de 2027. O índice chegou a avançar para 188.892 pontos pela manhã, mas recuava 0,11%, aos 185.000,96 pontos, por volta das 15h20, próximo da mínima do dia, de 184.718,36 pontos.
Bolsa devolve parte da forte valorização recente
Realização de lucros é o movimento em que investidores reduzem posições depois de uma sequência de ganhos, transformando parte da valorização em dinheiro. A pressão aparece após o Ibovespa subir 3,05% na quarta-feira (2), para 185.205,09 pontos, na maior alta diária desde 23 de março de 2026, quando avançou 3,24%.
Entre os papéis de maior peso no índice, a Vale recuava 3,39%. As ações preferenciais da Petrobras caíam 1,06%, enquanto as ordinárias chegaram a registrar baixa próxima de 2%. Os bancos, que ajudaram a sustentar a alta no início do pregão, perderam força; Bradesco PN avançava apenas 0,17% no momento do levantamento.
Pesquisa eleitoral mantém investidores em alerta
A expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa Datafolha no fim desta quinta-feira adiciona sensibilidade ao mercado. Nos últimos dias, levantamentos que indicaram uma disputa mais acirrada para a Presidência em 2027 fortaleceram o chamado “trade eleitoral”, expressão usada para descrever a compra ou venda de ativos com base em expectativas sobre o resultado da eleição e seus possíveis efeitos econômicos.
A percepção de um cenário político considerado mais favorável aos ativos brasileiros ajudou a bolsa a subir e o real a se valorizar. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, avaliou que parte desse movimento pode ter antecipado uma possibilidade política ainda distante. Para ele, uma pesquisa capaz de mudar essa percepção, uma piora do debate fiscal ou uma mudança no cenário externo pode provocar reversão no dólar e na Bolsa.
Exterior reduz apostas de alta dos juros do Fed
As bolsas de Nova York avançavam após declarações de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, reduzirem as apostas de uma alta dos juros americanos ainda em setembro. O Dow Jones subia 1,19%, o S&P 500 ganhava 1,09% e o Nasdaq avançava 1,44%.
De acordo com o CME Group, a probabilidade estimada de aumento dos juros na próxima reunião do Fed caiu de 63,2% na quarta-feira para 50,4% nesta quinta. Waller afirmou que a inflação continua significativamente acima da meta de 2%, mas defendeu que o banco central aguarde novos dados. Com a perspectiva de uma política monetária menos dura, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram, com a taxa da Treasury de dez anos em torno de 4,75%.
Petróleo cai, apesar de alta superior a 7% na semana
O petróleo também perdeu os ganhos registrados no início do dia. O barril do WTI operava praticamente estável, com baixa de 0,02%, a US$ 90,97, enquanto o Brent recuava 0,52%, a US$ 95,15. A queda da commodity pressionou especialmente as ações da Petrobras, porque preços menores podem reduzir as receitas esperadas da empresa.
Mesmo com o recuo diário, o petróleo acumula alta superior a 7% nesta semana, diante das preocupações com o transporte pela região do Estreito de Ormuz, rota relevante para o comércio global. O presidente americano Donald Trump afirmou na quarta-feira (2) que não espera que as hostilidades atuais evoluam para uma nova guerra.
O que acompanhar depois da virada do Ibovespa
O dólar à vista se afastou das mínimas e caía 0,17%, cotado a R$ 5,10. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de moedas, recuava 0,65%, aos 98,91 pontos. A diferença mostra que fatores domésticos, especialmente a expectativa eleitoral, continuavam limitando a valorização do real.
Para quem investe, os próximos catalisadores são a pesquisa Datafolha, a evolução do debate fiscal, os dados que orientarão o Fed e o comportamento do petróleo. A oscilação desta quinta-feira ocorre depois de uma alta expressiva e não elimina, por si só, os ganhos acumulados; ela evidencia, porém, como expectativas políticas e externas podem acelerar tanto a valorização quanto a correção dos ativos brasileiros.
Impacto para a sociedade
A queda do Ibovespa, isoladamente, não muda imediatamente o custo de vida, mas a alta de mais de 7% do petróleo na semana pode pressionar combustíveis, fretes e a inflação se persistir. As expectativas para os juros nos Estados Unidos também influenciam o dólar e, por consequência, os preços de produtos importados e as condições de crédito no Brasil.
