O Ibovespa futuro tenta subir 0,04%, aos 169.590 pontos, nesta quarta-feira (19), enquanto o dólar recua para perto de R$ 5,20 antes da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O documento, previsto para as 15h (horário de Brasília), pode oferecer pistas sobre os próximos passos dos juros americanos e influenciar bolsas, câmbio e renda fixa no Brasil.
Ata do Fed concentra as atenções dos mercados
Na reunião de julho, o Fed manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva. A decisão, porém, foi marcada pela maior dissidência entre os diretores em uma década, o que aumentou a expectativa por detalhes sobre a divisão interna da autoridade monetária.
Uma postura mais dura contra a inflação tende a sustentar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. Como esses papéis são referência global de segurança, retornos maiores podem reduzir o interesse por ativos de países emergentes, pressionando moedas como o real e bolsas como a brasileira.
Tensão no Oriente Médio mantém petróleo em alta
O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e a incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz continuam afetando os mercados. O petróleo Brent para outubro subia 0,56%, a US$ 91,53 por barril, enquanto o WTI avançava 0,57%, a US$ 84,54, por volta das 9h10.
O risco geopolítico aumentou após a informação de que o Irã considera atacar alvos militares americanos na Europa caso o conflito escale. Como o Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o transporte de petróleo, uma interrupção do fluxo pode elevar custos de energia e aumentar a pressão inflacionária em diversos países.
Dólar recua, mas juros dos EUA limitam o alívio
O dólar à vista abriu em queda de 0,25%, a R$ 5,2087. Em atualização posterior, a moeda renovou a mínima do dia e recuava 0,85%, a R$ 5,179. A baixa ocorre apesar do ambiente externo mais cauteloso, favorecida pelo ajuste das posições dos investidores antes da ata do Fed.
Os rendimentos dos Treasuries seguem no radar. O título americano de 30 anos chegou a 5,323% na terça-feira, maior nível em 19 anos, antes de recuar. Quando os juros dos Estados Unidos sobem, investimentos brasileiros precisam oferecer retorno maior para compensar o risco adicional, o que pode afetar ações e títulos de longo prazo.
Agenda doméstica combina inflação e risco político
No Brasil, a segunda prévia do IGP-M de agosto registrou deflação de 0,36%, depois de uma queda de 1,11% na mesma leitura de julho. Embora o índice seja conhecido por corrigir contratos de aluguel, seus componentes também ajudam a medir a evolução de preços no atacado e na construção.
O mercado acompanha ainda os desdobramentos da recuperação judicial da Casas Bahia e as movimentações da JBS. A companhia propôs comprar todas as ações ordinárias que ainda não possui da americana Pilgrim’s Pride; atualmente, detém 82% da empresa. No pré-mercado de Nova York, os papéis da JBS recuavam mais de 1%.
O que observar até o fim do pregão
Os futuros de Nova York operavam sem direção única: o S&P 500 subia 0,01%, o Dow Jones avançava 0,09% e o Nasdaq recuava 0,23%. Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa, em meio à aversão a ações ligadas à inteligência artificial, enquanto os mercados europeus também refletiam a tensão no Oriente Médio.
Para quem investe, a ata do Fed será o principal evento do dia porque pode alterar as expectativas para os juros americanos e, por consequência, o fluxo de capital para o Brasil. Para consumidores e empresas, a combinação entre dólar, petróleo e inflação externa merece atenção: ela pode influenciar custos de importação, combustíveis e condições de crédito nos próximos meses.
Impacto para a sociedade
A decisão do Federal Reserve pode influenciar o dólar, os preços de produtos importados e o custo de financiamento no Brasil, especialmente se mudar as expectativas sobre os juros americanos. A alta do petróleo, por sua vez, pode pressionar combustíveis e outros preços caso a tensão no Oriente Médio se prolongue.
