O Ibovespa futuro subia 0,13%, aos 170.635 pontos, na manhã desta quinta-feira (13), apoiado pelo avanço acima do esperado nas vendas do varejo e pelo balanço do Banco do Brasil. O movimento ocorre apesar da queda do petróleo, enquanto investidores aguardam o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos, o PPI, que pode influenciar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve.
Varejo cresce acima das expectativas em junho
As vendas do varejo brasileiro aumentaram 0,5% em junho, na comparação com maio, e cresceram 2,9% ante junho de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados superaram as estimativas compiladas pela Reuters, que apontavam alta mensal de 0,3% e avanço anual de 2,35%.
O dado é relevante porque completa o conjunto de indicadores necessário para uma avaliação mais clara da atividade econômica no segundo trimestre. Um consumo mais forte tende a favorecer empresas ligadas ao comércio e pode melhorar a percepção sobre receitas e resultados corporativos, embora também possa indicar uma economia ainda aquecida e exigir cautela nas expectativas para os juros.
Banco do Brasil sustenta atenção às ações
Entre os balanços, o Banco do Brasil informou na quarta-feira (12) lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e crescimento de 13,9% ante o primeiro trimestre deste ano.
O número contribuiu para o tom positivo do mercado, mas veio acompanhado de pontos de atenção. Houve piora na qualidade do crédito, especialmente com aumento da inadimplência em cartões. Para os investidores, isso significa que parte do lucro futuro pode ficar mais pressionada caso o banco precise elevar provisões para cobrir empréstimos com maior risco de calote.
Dólar abre em alta e petróleo recua
O dólar à vista abriu a sessão cotado a R$ 5,1867, alta de 0,13%. A pequena valorização da moeda americana ocorreu em um ambiente de espera por dados de inflação nos Estados Unidos e de acompanhamento das tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
Mesmo com o risco associado à região, os contratos de petróleo recuavam por volta das 9h22. O Brent para outubro de 2026 caía 1,81%, a US$ 89,06 por barril, enquanto o WTI para setembro recuava 2,08%, a US$ 81,10. A queda reduz, no curto prazo, a pressão sobre custos de combustíveis e de empresas que dependem de energia, mas os preços continuam sujeitos a mudanças nas condições geopolíticas.
PPI dos EUA pode mexer com as apostas sobre juros
O mercado aguardava para as 9h30 o PPI de julho nos Estados Unidos. O indicador mede a variação dos preços recebidos pelos produtores e funciona como um sinal sobre as pressões inflacionárias antes que elas cheguem ao consumidor.
Um resultado acima do esperado pode levar investidores a reduzir apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve. Juros americanos mais altos por mais tempo tendem a fortalecer o dólar e a atrair recursos para ativos dos Estados Unidos, dificultando o desempenho de bolsas emergentes como a brasileira.
O que observar após a abertura
Apesar da alta do Ibovespa futuro, a avaliação sobre a bolsa brasileira permanece seletiva. Para Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, o ambiente econômico segue desafiador, com riscos fiscais de curto prazo e ausência de uma mudança clara no cenário econômico e político. Nesse contexto, os preços considerados baixos de alguns ativos não eliminam a percepção de risco.
Para quem acompanha o mercado, os próximos movimentos dependerão da reação aos dados americanos, da continuidade da temporada de balanços e do comportamento das commodities. O varejo e o lucro do Banco do Brasil ajudam a sustentar o índice nesta manhã, mas a piora do crédito no banco, a queda do petróleo e as incertezas sobre juros externos podem limitar o avanço ao longo do pregão.
