O Ibovespa futuro avançou até 1% nesta quinta-feira (3), aproximando-se dos 190 mil pontos, enquanto o dólar abriu a R$ 5,0830, em queda de 0,44%. O movimento ocorre no chamado trade eleitoral, com investidores ajustando posições diante das pesquisas sobre a disputa presidencial de outubro e da percepção de mudanças no cenário político.

Pesquisa eleitoral amplia o movimento nos ativos brasileiros

Às 9h08, o contrato futuro do Ibovespa subia 1,04%, aos 189.850 pontos. Mais tarde, o índice chegou a 190,2 mil pontos, enquanto o dólar comercial recuava 0,52%, a R$ 5,0820, depois de tocar a mínima de R$ 5,0710. O dólar futuro também operava em baixa, a R$ 5,108.

A reação ocorre após a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira mostrar redução da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno. Uma nova pesquisa Datafolha estava no radar do mercado nesta quinta-feira.

Quando as pesquisas alteram a percepção sobre o resultado eleitoral ou sobre as políticas que podem ser adotadas pelo próximo governo, investidores podem mudar rapidamente suas posições em ações, câmbio e juros. A alta da Bolsa e a queda do dólar refletem, neste momento, esse reposicionamento, e não uma mudança já definida na economia.

Fluxo estrangeiro e dólar mais fraco ajudam o mercado local

Rafael Passos, analista e sócio da Ajax Asset, afirmou que os ativos brasileiros seguem com desempenho positivo diante do ambiente eleitoral mais movimentado e da melhora nos fluxos financeiros. A entrada ou saída de recursos estrangeiros influencia diretamente a demanda por ações brasileiras e pela moeda local.

O dólar também foi pressionado pelo desempenho internacional da moeda americana. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,45%, aos 99,143 pontos. Com o dólar global mais fraco, moedas de países emergentes, como o real, podem ganhar algum espaço, embora fatores domésticos continuem sendo determinantes.

Juros futuros recuam, mas cenário do Fed continua incerto

Os juros futuros, contratos usados para indicar as expectativas do mercado para as taxas adiante, recuavam no Brasil. Esse movimento costuma favorecer empresas mais sensíveis ao custo de financiamento e pode sustentar a valorização de ações, porque reduz o desconto aplicado aos lucros projetados.

No exterior, os investidores aguardam o relatório oficial de empregos dos Estados Unidos, o payroll, previsto para sexta-feira (4). A expectativa é de criação de 56 mil vagas em agosto, depois do fechamento inesperado de 23 mil postos em julho, com a taxa de desemprego estimada em 4,1%.

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos somaram 206 mil na semana, acima dos 204 mil da semana anterior. O resultado sugere estabilidade no mercado de trabalho, mas ainda não elimina a incerteza sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Wall Street opera sem direção única antes dos dados

Os mercados financeiros americanos apresentavam sinais mistos. O Dow Jones futuro subia 0,21%, enquanto o S&P 500 futuro avançava 0,04% e o Nasdaq futuro recuava 0,15%. A cautela reflete a proximidade dos dados de emprego e a discussão sobre os juros americanos.

As apostas nos mercados monetários indicavam cerca de 60% de probabilidade de uma alta dos juros pelo Fed em setembro, contra menos de 40% uma semana antes. O diretor do Fed Christopher Waller, porém, afirmou estar inclinado a apoiar a manutenção da taxa, caso os dados de inflação de agosto continuem mostrando melhora.

O que pode mudar o rumo do pregão nesta quinta-feira

No Brasil, novas pesquisas eleitorais devem continuar influenciando Bolsa, dólar e juros. Também permanecem no radar medidas em tramitação no Congresso, como a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, a política de minerais críticos e estratégicos e a medida sobre a tributação de compras internacionais de até US$ 50.

Para quem investe, a sessão mostra como ativos brasileiros podem reagir a mudanças nas expectativas políticas mesmo antes de qualquer decisão econômica concreta. O payroll americano, as falas de dirigentes do Fed e a divulgação de novos levantamentos eleitorais devem definir se o avanço do Ibovespa futuro e a queda do dólar terão continuidade ou perderão força ao longo do dia.