O Ibovespa fechou esta sexta-feira (9) em recorde, aos 209.066,90 pontos, após subir 1,38%. Na semana, o índice avançou 8,82%, enquanto o dólar à vista acumulou queda de 4,44% e terminou abaixo de R$ 5, a R$ 4,9856. O movimento reflete a combinação de expectativas eleitorais e melhora do humor nos mercados, e marca uma forte valorização dos ativos brasileiros nos últimos cinco pregões.

Bolsa renovou recordes no fechamento e durante o pregão

Além do recorde de encerramento, o índice alcançou a máxima histórica intradiária de 209.713,45 pontos, alta de 1,69% no melhor momento da sessão. O avanço semanal de 8,82% foi o maior desde março de 2020. O Ibovespa mede o desempenho de uma carteira de ações negociadas na B3, e oscila conforme mudam as expectativas para empresas e para a economia.

A alta teve apoio de ações de peso no índice. Petrobras subiu 1,82% nas ações ordinárias e 0,94% nas preferenciais, acompanhando a valorização do petróleo. Vale avançou 0,38%, interrompendo uma sequência de cinco quedas, e o setor financeiro ganhou 2,22%. As ações da MRV lideraram as altas, com avanço de 21,62% após a divulgação de uma prévia operacional; Telefônica Brasil caiu 5,25%.

Pesquisas eleitorais influenciaram as expectativas do mercado

O cenário eleitoral seguiu no radar dos investidores. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença está no limite do empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Levantamento AtlasIntel/Bloomberg publicado nesta sexta apontou Flávio com 51,1% e Lula com 45,7%, diferença superior à margem de erro de um ponto. Parte dos participantes do mercado associa uma eventual vitória de Flávio a maiores chances de controle das contas públicas, embora o candidato ainda não tenha apresentado propostas concretas de ajuste. Essa avaliação alimentou a procura por ativos brasileiros, mas não representa certeza sobre o resultado da eleição ou sobre mudanças futuras na política econômica.

Dólar recuou com juros futuros e moedas emergentes

O dólar à vista caiu 0,76% no dia e encerrou a semana com perda de 4,44% ante o real. A moeda chegou a R$ 4,9765 durante a sessão. No ano, acumula recuo de 9,17%. A queda no Brasil ocorreu junto à desvalorização do dólar frente a outras moedas de países emergentes, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.

Também houve redução dos prêmios na curva de juros futuros, que refletem as taxas negociadas para períodos adiante. Quando investidores percebem menor risco fiscal, podem exigir uma compensação menor para emprestar ao governo; esse movimento pode favorecer ativos locais e contribuir para a queda do dólar. No exterior, porém, o índice do dólar subia 0,10% no fim da tarde diante de uma cesta de moedas fortes.

Inflação acima do teto ficou em segundo plano

O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,82% em setembro, acima da previsão de 0,73% dos economistas consultados pela Reuters e após cair 0,32% em agosto. Em 12 meses, a alta chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta, que tem centro de 3% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

O dado não impediu a alta da bolsa nem a queda do dólar no dia, mas é relevante para as decisões de política monetária. Inflação persistente pode limitar espaço para reduzir juros, pois taxas mais altas ajudam a conter a demanda e a alta de preços, embora também encareçam empréstimos e possam pesar sobre empresas e consumidores.

O que acompanhar depois do recorde

O resultado da semana mostra como expectativas eleitorais e movimentos internacionais podem mexer rapidamente com ações e câmbio. Em Nova York, os principais índices também fecharam em alta nesta sexta: Dow Jones avançou 0,83%, S&P 500 subiu 0,59% e Nasdaq ganhou 0,64%, em uma semana marcada por oscilações nos juros dos títulos americanos e pelo petróleo acima de US$ 100 por barril.

Para quem investe, a sequência dos próximos pregões dependerá de novos dados, pesquisas e sinais sobre as contas públicas, além do cenário externo. Para quem consome ou trabalha, a cotação do dólar pode influenciar custos de importados e alguns preços, mas a transmissão leva tempo e não é garantida. O recorde da bolsa e a queda semanal do câmbio, por si só, não eliminam os riscos de inflação nem definem a direção futura dos ativos.

Impacto para a sociedade

A inflação de 4,58% em 12 meses mostra que a alta dos preços continua acima do teto da meta, pressionando o orçamento das famílias. Se a queda do dólar persistir, pode ajudar a conter custos de produtos importados, mas esse efeito não é automático nem imediato.