O Ibovespa ensaia recuperação nesta segunda-feira (21), apoiado pela melhora das bolsas no exterior, pela queda dos juros futuros e pela repercussão das pesquisas eleitorais, enquanto o dólar recua para perto de R$ 5,11. Por volta das 10h54, o principal índice da B3 subia 0,22%, aos 185.632,69 pontos, depois de avançar 0,61% mais cedo, aos 186.357,61 pontos.
Exterior favorece ativos de risco e reduz pressão sobre o câmbio
O ambiente internacional ficou mais favorável com a queda do petróleo e dos rendimentos dos títulos do governo americano. O Brent recuava 2,94%, para US$ 100,82 por barril, enquanto o WTI caía 3,45%, a US$ 96,84. A redução da commodity diminui o temor de uma nova rodada de inflação global e, com isso, o prêmio exigido para investir em mercados emergentes.
Em Nova York, o Dow Jones e o S&P 500 subiam 0,58%, e o Nasdaq avançava 0,75%. O rendimento da Treasury de dez anos recuava mais de 3 pontos-base, para cerca de 4,96%. Juros americanos menores tornam relativamente mais atrativos ativos de países como o Brasil e ajudam especialmente empresas de tecnologia e companhias mais sensíveis ao custo do dinheiro.
O dólar comercial caía 0,62%, a R$ 5,112, acompanhando a menor aversão ao risco no exterior. O movimento também reflete a percepção de que o petróleo mais barato pode conter a inflação, reduzindo a necessidade de juros elevados em várias economias.
Bancos sustentam a alta, enquanto Petrobras sente o petróleo
As ações financeiras lideravam o suporte ao índice. Itaú Unibanco subia 1,61%, Bradesco avançava 0,89% nas preferenciais e 1,27% nas ordinárias, enquanto BTG Pactual ganhava 1,14%. Itaúsa tinha alta de 1,92% e a B3 avançava 1,93%.
O movimento dos bancos é favorecido pela queda dos juros futuros, que são as taxas negociadas para períodos adiante e funcionam como uma indicação das expectativas do mercado para a política monetária. Quando recuam, podem melhorar a perspectiva para o crédito e para o valor presente dos lucros das empresas.
Na direção oposta, Petrobras recuava 0,58% nas ações preferenciais e 0,17% nas ordinárias, acompanhando a desvalorização do petróleo. Vale oscilava perto da estabilidade, enquanto CSN subia 3,08%, C&A Brasil avançava 2,80% e Localiza ganhava 2,32%.
Pesquisa eleitoral volta a mexer com as expectativas
A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 42% na semana anterior. Flávio Bolsonaro aparecia com 37%, mantendo o percentual anterior. A diferença caiu de cinco para três pontos, dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.
Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula tinha 46% e Flávio Bolsonaro, 45%, também em empate técnico. A proximidade entre os candidatos aumenta a atenção dos investidores para as próximas pesquisas, sobretudo pelos possíveis efeitos sobre as expectativas fiscais e econômicas.
Focus reduz Selic projetada, mas eleva inflação
O Relatório Focus mostrou que a mediana das projeções para a Selic ao fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50% ao ano. A estimativa para o IPCA, porém, subiu de 4,90% para 4,92%, sinal de que o mercado passou a esperar juros um pouco menores apesar de uma inflação levemente mais alta.
Na semana passada, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Juros menores tendem a reduzir o custo de empréstimos e financiamentos ao longo do tempo e podem estimular empresas e consumo. Em contrapartida, diminuem a remuneração oferecida por novas aplicações atreladas à taxa básica, além de dependerem da evolução da inflação e das contas públicas.
IPCA-15 e ata do Copom serão os próximos testes
Na terça-feira (22), o Banco Central divulga a ata da reunião que cortou a Selic. O documento pode esclarecer o ritmo pretendido para os próximos encontros. Na quinta-feira (24), será divulgado o Relatório de Política Monetária, enquanto o IPCA-15 de setembro sai na sexta-feira (25).
A prévia da inflação deve vir mais pressionada pela devolução, em setembro, do efeito da entrada do bônus de Itaipu sobre a conta de energia registrado no mês anterior. Também ficam no radar as conversas entre Donald Trump e Xi Jinping, previstas para quinta-feira, e a possibilidade de extensão da trégua comercial entre Estados Unidos e China. Esses eventos podem alterar o humor externo, o câmbio e os juros domésticos.
Impacto para a sociedade
A queda do petróleo pode aliviar pressões sobre a inflação global, mas também reduz o suporte às ações da Petrobras. A expectativa de Selic menor tende a baratear o crédito gradualmente, embora possa diminuir a remuneração de novos investimentos em renda fixa. O IPCA-15 e as decisões dos bancos centrais ainda podem alterar esse cenário.
