O Ibovespa e o dólar recuavam na manhã desta terça-feira (29), enquanto investidores avaliavam dados de emprego no Brasil e nos Estados Unidos, a queda do petróleo e as negociações entre Washington e Teerã. Perto das 11h, o principal índice da Bolsa brasileira caía 0,25%, aos 182.535 pontos, e a moeda americana recuava 0,25%, cotada a R$ 5,2119.

Desemprego fica em 5,3% e mercado aguarda Caged

No cenário doméstico, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. O indicador ajuda a mostrar a parcela da população que procura trabalho e não encontra, mas não informa sozinho quantas vagas formais foram criadas no período.

Esse número será acompanhado mais tarde, com a divulgação do saldo de empregos com carteira assinada em agosto pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Dados de trabalho podem influenciar as expectativas sobre a atividade econômica e os próximos passos dos juros: emprego e renda afetam o consumo, enquanto uma demanda mais forte também pode pressionar preços.

Outro dado divulgado foi o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que subiu 1,57% em setembro, após cair 0,22% em agosto. O índice reúne diferentes preços da economia e também é usado como referência em contratos; por isso, sua alta pode pesar em reajustes vinculados a ele, embora não seja o indicador oficial da inflação ao consumidor.

Vale, Petrobras e siderúrgicas pressionam a Bolsa

A queda do índice era puxada por ações de grandes empresas ligadas a commodities, como Vale e Petrobras. Por volta das 11h10, os papéis da mineradora recuavam 1,46%; as ações preferenciais da Petrobras caíam 1,19%, e as ordinárias, 1,56%. Como são companhias de grande peso no mercado, movimentos nesses papéis ajudam a explicar a direção do Ibovespa.

As perdas também alcançavam empresas do setor de aço. A CSN recuava 7,68% naquele momento, a maior baixa do índice, enquanto CSN Mineração caía 2,77%, Gerdau, 2,35%, e Usiminas, 2,29%. Na direção oposta, Azzas 2154 avançava 4,64%, e Fleury subia 1,12%.

Petróleo cai com conversas entre EUA e Irã

Os contratos de petróleo recuavam em uma sessão volátil, com investidores acompanhando conversas entre Estados Unidos e Irã conduzidas com a ajuda de mediadores. O barril do WTI, referência americana, caía 2,38%, a US$ 90,40; o Brent, referência internacional, perdia 2,01%, a US$ 103,16.

A possibilidade de avanço diplomático reduz parte do adicional de preço associado ao risco de conflito e de interrupções no fornecimento. Ainda assim, preocupações com a infraestrutura energética e o fluxo de petróleo na região continuavam no radar. A queda da commodity também ajuda a entender a pressão sobre ações de petrolíferas, embora o preço do barril não seja o único fator que determina o desempenho dessas empresas.

Juros dos EUA e agenda internacional seguem no foco

Nos Estados Unidos, os investidores aguardavam o relatório JOLTS, que mede vagas de trabalho em aberto, referente a agosto. O dado antecede outros indicadores de emprego previstos para a semana e pode contribuir para as expectativas sobre a condução dos juros pelo banco central americano. Juros elevados tendem a tornar títulos de renda fixa mais atraentes e podem reduzir o apetite por ativos de maior risco.

O rendimento dos títulos americanos de dez anos recuava mais de três pontos-base, mas permanecia em 5,209%. Em Nova York, o Nasdaq subia 0,04%, o S&P 500 operava perto da estabilidade e o Dow Jones caía 0,15%. Também estavam no radar um encontro na Casa Branca com empresas de inteligência artificial e as negociações no Oriente Médio, seis dias antes das eleições gerais mencionadas no calendário político.

O que os próximos dados podem mudar para o mercado

Para quem investe, o pregão mostra como emprego, juros internacionais e preços de commodities podem se combinar e afetar ações e câmbio. A queda do dólar no dia era pequena, enquanto a moeda seguia acima de R$ 5,20; já a baixa do Ibovespa refletia, em especial, a pressão sobre empresas de commodities e siderurgia.

Os próximos pontos de atenção são o resultado do Caged de agosto e os dados de emprego americanos. Eles podem alterar as expectativas sobre a economia e os juros, enquanto a evolução das conversas entre Estados Unidos e Irã seguirá relevante para o petróleo. Até lá, os movimentos observados durante a manhã são um retrato da sessão, não uma indicação automática do rumo dos ativos nos próximos dias.

Impacto para a sociedade

A taxa de desemprego de 5,3% e os dados de criação de vagas ajudam a medir a situação do mercado de trabalho, que influencia a renda e o consumo. O resultado do IGP-M também pode repercutir em contratos corrigidos pelo índice, embora não seja a medida oficial da inflação ao consumidor.