O Ibovespa confirmou nesta segunda-feira (17) a décima queda consecutiva, ao recuar 0,09%, para 166.783,57 pontos, na pior sequência desde 2023. No mesmo pregão, o dólar à vista caiu 0,36% e fechou a R$ 5,2012, interrompendo uma série de cinco altas. O resultado mostra que a bolsa continua pressionada por incertezas domésticas, enquanto o câmbio encontrou algum alívio com a fraqueza global da moeda americana.

Atividade mais fraca aumenta cautela com a economia

O mercado reagiu ao IBC-Br, indicador do Banco Central usado como prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O índice recuou 0,6% em junho ante maio, resultado pior que a queda de 0,5% esperada pelos analistas. Ainda assim, a atividade acumulou alta de 1,5% no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período do ano passado.

A combinação sugere que a economia ainda cresce, mas perdeu ritmo no fim do semestre. Esse quadro pode reduzir projeções para o PIB do segundo trimestre e influenciar a trajetória dos juros. Com a Selic em 14% ao ano, a renda fixa permanece atrativa, enquanto o crédito caro limita o consumo e os investimentos das empresas. Para a bolsa, juros elevados também aumentam a taxa usada para avaliar o valor futuro dos lucros das companhias.

Crise da Casas Bahia pesa sobre bancos e varejo

O setor financeiro caiu em bloco após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O Índice Financeiro recuou 1,49%, contribuindo para manter o Ibovespa no campo negativo. O episódio reacendeu preocupações com crédito, inadimplência e exposição de instituições financeiras ao varejo.

Na ponta negativa do índice, a Suzano caiu 3,45%, a R$ 40,58. Entre as maiores altas, Magazine Luiza avançou 8,18%, a R$ 4,23, em uma reação à possibilidade de ganhar espaço competitivo após a crise da concorrente. Entre as ações de maior peso, Vale subiu 0,15%, a R$ 71,41, enquanto Petrobras ON avançou 1,35%, a R$ 47,46, e Petrobras PN ganhou 0,90%, a R$ 42,47. Juntos, bancos, Petrobras e Vale representam cerca de metade da carteira do Ibovespa.

Eleição e cenário fiscal mantêm investidores cautelosos

Além dos dados econômicos, o mercado acompanhou a disputa eleitoral. Pesquisa BTG Pactual/Nexus apontou Luiz Inácio Lula da Silva com 47% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 44% em um eventual segundo turno.

Para o economista Vitor Kayo, da Nomad, a bolsa não tem conseguido se beneficiar da perspectiva de juros domésticos menos pressionados. Incertezas eleitorais e fiscais, somadas ao conflito no Oriente Médio, mantêm investidores estrangeiros mais afastados dos ativos brasileiros e ajudam a explicar a sequência de baixas.

Leilão do Banco Central ajuda o real, mas petróleo sobe

O dólar também foi influenciado pela fraqueza global da moeda americana. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis divisas, recuava 0,09%, aos 99,577 pontos, por volta das 17h. O Banco Central ainda realizou leilão de US$ 1 bilhão com compromisso de recompra, em uma operação para rolar o vencimento de 2 de setembro. A recompra está prevista para 2 de fevereiro de 2027.

No exterior, o petróleo Brent voltou a superar US$ 90 por barril diante das ameaças de escalada entre Washington e Teerã em torno do Estreito de Ormuz. A ata da última reunião do Federal Reserve, que manteve os juros americanos entre 3,50% e 3,75%, estará no radar durante a semana. Em Wall Street, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram 0,51%, 0,52% e 0,32%, respectivamente, enquanto o Treasury de 30 anos superou 5,3%.

O que acompanhar depois da décima queda

Para quem investe, o pregão reforça a importância de acompanhar simultaneamente atividade econômica, juros, eleição, contas públicas e cenário internacional. A queda do dólar não eliminou as pressões externas, e a alta do petróleo pode afetar inflação e expectativas de juros se persistir.

Para consumidores e trabalhadores, o IBC-Br mais fraco é um sinal de desaceleração que pode atingir crédito, vendas e contratação caso se prolongue. Os próximos movimentos dependerão da interpretação dos dados de atividade, da ata do Fed, do comportamento do petróleo e de novas informações sobre o ambiente fiscal e eleitoral brasileiro.

Impacto para a sociedade

O recuo do IBC-Br, prévia do PIB, indica perda de força da economia e pode influenciar decisões futuras sobre juros, crédito e consumo. A alta do petróleo provocada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã também pode pressionar combustíveis e outros preços no Brasil, caso persista. Já a pequena queda do dólar, isoladamente, tem efeito limitado sobre o custo de vida.