O Ibovespa chegou a 209 mil pontos e o dólar caiu abaixo de R$ 4,95 nesta segunda-feira (5), ampliando a reação positiva dos mercados brasileiros após o primeiro turno da eleição presidencial. Os movimentos levam adiante a alta da Bolsa e a queda da moeda americana registradas no início do pregão, mas ainda refletem uma sessão marcada pela repercussão do resultado eleitoral.

Bolsa e câmbio ampliaram os movimentos pela manhã

Por volta das 10h35, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subia 8,39%, aos 208.226,13 pontos, depois de superar pela primeira vez a marca de 200 mil. Mais tarde, alcançou os 209 mil pontos, renovando o recorde histórico. O avanço ocorre após o índice ter encerrado a sexta-feira (2) sem uma alta semelhante descrita nas informações disponíveis.

No câmbio, o dólar era negociado a R$ 4,978 para compra e R$ 4,979 para venda por volta das 10h50, queda de 4,55% frente ao real. A moeda terminou a sexta-feira a R$ 5,216, com recuo de 0,08% no dia. Na sequência, a cotação passou a ficar abaixo de R$ 4,95, aprofundando a desvalorização observada no começo da sessão.

Resultado eleitoral orienta a leitura dos investidores

Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A disputa seguirá para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha, segundo as informações disponíveis.

Em momentos como esse, investidores ajustam os preços dos ativos conforme reavaliam riscos e possíveis cenários para o país. A reação expressiva mostra que o resultado das urnas foi incorporado rapidamente às negociações, mas não permite concluir, por si só, qual será o desempenho dos ativos nos próximos dias. A disputa eleitoral ainda terá uma nova etapa.

A alta se espalhou por diferentes ações

O avanço não ficou restrito ao índice. No início do pregão, praticamente todos os papéis que compõem o Ibovespa operavam em alta. As ações da B3 (B3SA3) subiam 26,11%, a R$ 23,96, por volta das 10h35. Magazine Luiza (MGLU3) avançava 24,97%, enquanto Cosan (CSAN3), Cyrela (CYRE3) e Localiza (RENT3) também registravam ganhos superiores a 20% naquele momento.

Entre os papéis mais negociados, Banco do Brasil (BBAS3) tinha alta de cerca de 13,15% no início da sessão. Petrobras (PETR4) também aparecia entre os mais negociados, com valorização de 6,06%, menor que a de várias outras ações. No exterior, o ETF MSCI Brasil, negociado em Frankfurt, chegou a subir mais de 14%, e ações de empresas brasileiras, como Itaú Unibanco e Petrobras, também avançavam.

O que os movimentos significam para quem acompanha o mercado

A queda do dólar pode reduzir o custo em reais de produtos importados, mas uma variação diária não se traduz automaticamente em preços menores nas lojas ou em inflação mais baixa. O repasse depende de outros custos e pode levar tempo. Do mesmo modo, a forte alta da Bolsa não significa que todas as empresas subiram na mesma proporção nem que o movimento será mantido.

Para quem acompanha investimentos, o dado novo é a extensão da reação: o índice avançou de 208 mil para 209 mil pontos, enquanto a moeda americana rompeu o patamar de R$ 4,95. O próximo marco político será o segundo turno de 25 de outubro; até lá, as cotações podem continuar respondendo a novas informações e à reavaliação das expectativas sobre a eleição.