O Ibovespa alcançou 209.605 pontos na máxima desta segunda-feira (5), rompendo pela primeira vez a barreira dos 200 mil e superando o recorde anterior, de 199.354 pontos. Com o salto após o primeiro turno das eleições, a análise gráfica aponta 215.630, 221.450 e, em uma extensão da alta, 230 mil pontos como próximas referências — sem indicar que o índice chegará a elas em linha reta.
Rompimento dos 200 mil muda as referências do índice
A sessão desta segunda foi a primeira após o primeiro turno presidencial. Por volta das 14h, o Ibovespa subia 8,29%, aos 208.050 pontos, depois de ultrapassar a máxima histórica anterior e deixar para trás a faixa em que os preços oscilaram durante boa parte de setembro. Na máxima do dia, chegou a 209.605 pontos.
O primeiro alvo técnico projetado, em 209.120 pontos, também foi superado durante o pregão. A antiga máxima de 199.354 pontos, que antes funcionava como barreira à alta, passa a ser uma referência para avaliar se o índice consegue sustentar a nova faixa de preços. As projeções são níveis de acompanhamento, não previsões de avanço garantido.
Alvos em 215 mil, 221 mil e 230 mil pontos
Se a pressão compradora continuar, o próximo objetivo indicado pela análise é 215.630 pontos. Acima desse nível, a referência seguinte fica em 221.450 pontos. Em uma extensão mais ampla do movimento, os 230 mil pontos entram no radar.
A distância entre esses níveis não significa que o índice vá avançar de forma contínua. Depois de uma valorização concentrada em uma única sessão, os pregões seguintes podem mostrar se o mercado se mantém acima dos 200 mil pontos ou se passa por uma acomodação antes de definir uma direção.
Indicador aponta valorização acelerada e risco de correção
O Índice de Força Relativa (IFR), indicador que mede a intensidade dos movimentos dos preços, chegou a 84,38 pontos no período de 14 sessões. Leituras acima de 70 são normalmente associadas à sobrecompra, uma condição em que o ativo subiu com força e pode estar esticado no curto prazo.
Esse nível, isoladamente, não confirma uma reversão: em uma tendência de alta, o indicador pode permanecer elevado. Mas, combinado ao afastamento expressivo das médias móveis, reforça a possibilidade de realização de lucros, consolidação ou correção técnica. Se houver recuo, o primeiro suporte apontado é a antiga máxima, em 199.354 pontos; depois aparecem 189.487, 182.990 e 178 mil pontos. Em um recuo mais profundo, 164.835 pontos é uma referência estrutural.
Eleição também mexeu com dólar e juros futuros
A alta ocorre em meio à reprecificação dos ativos brasileiros após o primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva, levando a disputa presidencial para o segundo turno. Na sessão, o dólar chegou a cair mais de 4% e operar abaixo de R$ 5, enquanto as taxas dos contratos de juros futuros recuaram perto de 100 pontos-base em alguns vencimentos.
Esses contratos refletem expectativas para os juros no futuro, e não uma mudança imediata na taxa Selic. Quando as taxas projetadas caem, o custo de financiamento esperado pode diminuir e os lucros futuros das empresas tendem a valer mais nas avaliações do mercado, favorecendo ações. Ainda assim, o movimento não garante crédito mais barato de imediato para famílias e empresas: isso depende de outros fatores e de como as expectativas evoluem.
O que observar nos próximos pregões
O avanço do índice não elimina a incerteza sobre o segundo turno nem sobre a condução econômica do próximo governo. O sócio da Voga Lúcio Moscareli avaliou que ainda não é possível afirmar que a alta continuará e destacou que a trajetória da bolsa dependerá também da gestão da economia. Para ele, a queda da curva de juros futuros é um dado importante, por afetar empresas e diferentes setores da sociedade.
Para quem acompanha o mercado, os próximos pregões devem ajudar a mostrar se o Ibovespa sustenta os níveis acima de 200 mil pontos e se consegue buscar os alvos técnicos, ou se a arrancada dá lugar a ajustes. Os patamares de suporte e de resistência servem como referências para entender o comportamento do índice, não como garantia de resultado ou indicação de investimento.
