O Ibovespa recuava 0,60%, aos 185.214 pontos, por volta de 12h45 desta quinta-feira (1º), após oscilar sem direção definida durante boa parte do pregão. A cautela com os juros nos Estados Unidos e a expectativa pelo primeiro turno das eleições brasileiras dividiram a atenção dos investidores, enquanto as ações da Petrobras davam algum suporte à Bolsa.
Eleição deixa investidores à espera do primeiro turno
As pesquisas seguem apontando uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O primeiro turno está marcado para domingo, e a possibilidade de a eleição ser decidida apenas no segundo turno, no fim de outubro, mantém os investidores atentos aos resultados e às sinalizações sobre a política econômica a partir de 2027.
Para Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, muitos investidores devem esperar o resultado do primeiro turno antes de se posicionar de forma mais firme. Na avaliação dele, uma diferença pequena entre os candidatos poderia manter a disputa aberta; uma vantagem maior de Lula, por outro lado, seria mais difícil de ser revertida por Flávio.
Pesquisas e debate entram no radar do pregão
Um levantamento da Real Time Big Data divulgado pela manhã manteve o quadro de empate técnico entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno. Mais tarde, uma nova pesquisa Datafolha deve concentrar a atenção, assim como o debate entre candidatos à Presidência na TV Globo. Lula não participará do debate e estará no podcast Flow, conforme o material divulgado.
O economista-sênior Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, avalia que o mercado continuará dividindo o foco entre o cenário internacional e as eleições. Para Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, a percepção sobre a condução das contas públicas a partir de 2027 é um dos principais pontos de atenção dos investidores.
Juros dos títulos americanos pressionam ativos de risco
No exterior, o índice S&P 500 recuava 0,14%, enquanto o retorno do título de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos subia a 5,321%, ante 5,283% no pregão anterior. Esse retorno, também chamado de rendimento, indica quanto o investidor recebe ao manter o título. Quando aumenta, pode tornar os papéis americanos mais atraentes em comparação com investimentos de maior risco, como ações e ativos de países emergentes.
Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, explica que rendimentos maiores nos Estados Unidos podem reduzir o fluxo de recursos para o Brasil, pressionar o real e contribuir para manter elevados os juros de prazo mais longo no país. Na Bolsa, taxas de desconto maiores reduzem o valor estimado dos ganhos futuros das empresas e podem pesar especialmente sobre companhias de crescimento, consumo ou com mais dívidas.
O cenário de inflação também preocupa: Gabriel Mota mencionou o risco de pressões persistentes nos preços, inclusive relacionadas à guerra do Irã. Se essa preocupação levar a juros mais altos nos Estados Unidos, o apetite por ativos de risco pode diminuir globalmente. André Matos, da MA7 Capital, destacou que os investidores têm exigido retornos maiores para financiar governos endividados. Ele citou o título americano de dez anos chegando a 5,34%, nível que, segundo sua avaliação, não era visto desde 2002.
O que acompanhar nos próximos dias
O movimento externo e a incerteza eleitoral podem afetar, ao mesmo tempo, a avaliação das empresas, o câmbio e os juros brasileiros. A Petrobras oferecia algum contrapeso à queda do índice nesta quinta, mas isso não eliminava a pressão dos fatores que pesavam sobre o mercado como um todo.
Para quem investe, consome ou trabalha, os dados do primeiro turno e as próximas pesquisas ajudam a entender a direção das expectativas sobre a economia e as contas públicas. No exterior, a evolução dos rendimentos dos títulos americanos e das preocupações com a inflação seguirá no radar: mudanças nesses fatores podem alterar a disposição global para investir em mercados como o brasileiro.
