O Ibovespa chegou a cair 0,81% nesta sexta-feira (11), aos 186.741,76 pontos, pressionado pela queda das commodities e pelo ambiente político, enquanto Petrobras, a inflação dos Estados Unidos e o núcleo do CPI permanecem no radar. O movimento ocorreu apesar da alta das bolsas de Nova York e da Europa e após o índice brasileiro avançar 1,42% na sessão anterior.

Commodities tiram força da Bolsa brasileira

A baixa do petróleo e do minério de ferro pesou sobre empresas de grande participação no Ibovespa, setor em que Petrobras e companhias ligadas à mineração costumam influenciar o resultado do índice. O minério caiu 1,78% em Dalian e 2,52% em Singapura, enquanto o petróleo recuava mais de 2% depois de subir quase 6% na véspera.

A oscilação do petróleo ocorreu após a alta anterior, provocada por preocupações com a oferta em meio aos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Para as ações, a queda da commodity reduz a perspectiva de receita de produtoras; para a economia, mudanças persistentes no petróleo também podem afetar combustíveis, inflação e custos de transporte.

IPCA abaixo do esperado reforça aposta em corte da Selic

O IPCA caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho, e acumulou avanço de 4,22% em 12 meses. O resultado veio abaixo das projeções de queda de 0,29% no mês e alta acumulada de 4,26%. A difusão, que mostra a proporção de itens com aumento de preços, passou de 46,30% em julho para 54,38% em agosto.

A leitura mais favorável aumentou as apostas de redução de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14% para 13,75%, na reunião do Copom da próxima quarta-feira. Juros menores tendem a reduzir o retorno de investimentos pós-fixados atrelados à taxa básica, diminuir o custo de financiamentos e tornar ações relativamente mais atrativas, embora também possam pressionar o câmbio se o diferencial de juros com os Estados Unidos diminuir.

Inflação americana limita o alívio no mercado

Nos Estados Unidos, o CPI subiu 0,4% em agosto na comparação mensal e 3,4% em 12 meses, exatamente dentro do esperado. Mesmo assim, investidores avaliaram que o dado ainda não demonstra uma trajetória firme de desaceleração dos preços, especialmente na análise do núcleo, que exclui componentes mais voláteis.

Essa leitura fortalece a possibilidade de o Federal Reserve elevar os juros na reunião da próxima quarta-feira. Juros americanos mais altos por mais tempo podem favorecer ativos em dólar e aumentar a pressão sobre mercados emergentes, porque parte dos investidores reduz posições em países considerados mais arriscados.

Política brasileira continua aumentando a cautela

No cenário doméstico, investidores aguardavam a pesquisa Datafolha prevista para esta sexta-feira. Um levantamento Futura/100% Cidades apontou Luiz Inácio Lula da Silva com 39,2% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33,6%.

Também esteve no radar a decisão do ministro André Mendonça de derrubar o sigilo do inquérito sobre fraudes do Banco Master e de outros 14 processos, preservando documentos cuja divulgação pudesse prejudicar as investigações. Para operadores, os desdobramentos podem afetar a disputa eleitoral e a percepção sobre políticas econômicas futuras.

O que observar até a próxima semana

Às 11h26, o Ibovespa estava na mínima do dia, depois de oscilar entre a abertura estável, aos 188.267,71 pontos, e a máxima de alta de 0,17%, aos 188.586,47 pontos. Na véspera, o índice havia encerrado aos 188.268,59 pontos e acumulava alta de 1,69% na semana.

Para quem investe, os próximos catalisadores são a decisão do Copom, a sinalização do Federal Reserve, a evolução das commodities e novas pesquisas eleitorais. Para consumidores e trabalhadores, o IPCA mais fraco pode ajudar a aliviar a trajetória dos juros, mas petróleo, câmbio e decisões das autoridades monetárias ainda influenciam o custo de vida e o crédito.

Impacto para a sociedade

A deflação do IPCA aumenta a possibilidade de novos cortes na Selic, o que pode reduzir gradualmente o rendimento de aplicações pós-fixadas e baratear o crédito. Já a inflação ainda elevada nos Estados Unidos pode manter os juros americanos altos por mais tempo, afetando o dólar, os investimentos e os preços de produtos importados no Brasil.